Neuromancer

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Informações gerais: escrito por William Gibson, livro um da Trilogia Sprawl, lançado pela editora Aleph. Ficção científica – Cyberpunk.

Sinopse (retirada do Skoob): “Considerada a obra precursora do movimento cyberpunk e um clássico da ficção científica moderna, Neuromancer conta a história de Case, um cowboy do ciberespaço e hacker da matrix. Como punição por tentar enganar os patrões, seu sistema nervoso foi contaminado por uma toxina que o impede de entrar no mundo virtual. Agora, ele vaga pelos subúrbios de Tóquio, cometendo pequenos crimes para sobreviver, e acaba se envolvendo em uma jornada que mudará para sempre o mundo e a percepção da realidade.
Evoluindo de Blade Runner e antecipando Matrix, Neuromancer é o romance de estreia de William Gibson. Esta obra distópica, publicada em 1984, antevê, de modo muito preciso, vários aspectos fundamentais da sociedade atual e de sua relação com a tecnologia. Foi o primeiro livro a ganhar a chamada ‘tríplice coroa da ficção científica’: os prestigiados prêmios Hugo, Nebula e Philip K. Dick.”

Estava muito curiosa com este livro. A arte de capa tão chamativa ajudou a me atrair por esse livro. A 5a. edição da Aleph de 2016, é repleta de detalhes coerentes com a estória escrita por William Gibson, a divisão entre cada parte do livro e a parte de trás dele foi uns dos meus detalhes de edição favoritos. O problema não foi a edição e nem a qualidade de escrita, o problema é que simplesmente não gostei da história.

Em defesa de William Gibson, eu gosto do filme Matrix, mas nunca fui apaixonada por ele, ao ponto de eu nunca ter visto o último filme da trilogia, porque fiquei com preguiça. E este livro com certeza foi uma grande inspiração para este filme icônico. Na verdade, outra defesa para este autor é que este livro inspirou de tudo um pouco. Inspirou a entrada de vez do estilo Cyberpunk em diversas plataformas, inspirou na criação de filmes, músicas, estilos de roupas, sociedades e bandas… é um daqueles clássicos que transformou a cultura pop e o mundo inteiro consequentemente. O escritor realmente criou um mundo único, revolucionário, totalmente intrincado com o mundo digital e repleto de novos problemas sociais.

A questão para mim foi que a estória é muito lenta, e, ao mesmo tempo, o livro é cheio de detalhes necessários para o seu entendimento geral. Isso tornou tudo muito cansativo para mim. Eu precisava muitas vezes reler algum trecho, só para ter certeza de que o tinha compreendido, se não tinha perdido nada. Pensei, ao iniciar a leitura, que me acostumaria com a escrita do autor e iria passar a gostar de toda aquela confusão a qual eu estava me enfiando. O livro não é do tipo de me exaurir ao ponto de eu abandoná-lo, eu consegui chegar ao seu fim. Ele só não conseguiu me atrair para dentro dele.

O escritor não conseguiu me trazer nenhuma emoção, não senti raiva, nem tristeza, nem alegria, me senti um robô lendo sobre a história de Case e seu novo trabalho. Li sempre esperando alguma reação da minha parte, algum momento o qual eu ficasse tensa pelos personagens criados… infelizmente fechei o livro sem isso ocorrer. E preciso, ao ler um livro, criar empatia pelos personagens, me apaixonar de alguma forma pelo universo descrito. Não culpo o autor por eu não ter me interessado por esta leitura, mas de o livro não ter sido compatível com minha visão de mundo.

Por isso, para aqueles apaixonados por universos cibernéticos, matrix e estilo cyberpunk, vale a pena tentar embarcar nesta leitura. Não desistam da leitura só por minha resenha, é um clássico da cultura pop e vale a pena ser explorado, mesmo que seja abandonado logo em seguida. Só aviso: a sua leitura não é leve e nem rápida.

 

Amor a todos ❤

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Will e Will: um nome e um destino

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Informações gerais: escrito por John Green e David Levithan, lançado pela editora Galera Record. Ficção – jovem adulto.

Sinopse (retirada do Skoob): “Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra… Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome. E, aparentemente, apenas isso os une. Mas mesmo circulando em ambientes completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em um aventura de épicas proporções. O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos politicamente corretos do ensino médio.”

Estava muito curiosa ao ler esse livro. Na verdade, sempre fico curiosa em ler livros escritos em parceira que tenha, pelo menos, um autor o qual eu conheça. Sabia desde o início que teria como tema o LGBT, porém, todos os bons livros possuem mais de um assunto sendo abordado. E para mim o tema mais evidenciado nessa leitura foi a amizade.

O livro começa apresentando, em capítulos diferentes, cada um dos Wills, que além de terem o primeiro nome igual, também possuem o mesmo sobrenome: Grayson. Os dois tem vidas bem diferentes, em vários sentidos, como: suas personalidades (óbvio), estilo de vida e cidades onde moram cada um… Contudo, os dois estão passando por dificuldades, principalmente sociais. O primeiro Will apresentado tem um amigo, descrito por ele como super gay, a quem sempre está acompanhando e se auto-impõe duas regras bem restritivas de nunca se importa e sempre ficar calado; dificultando muito, assim, dele fazer novos amigos e se mostrar ao mundo. O outro Will possui depressão e foi abandonado pelo pai, tendo muita dificuldade de conversar abertamente com outros a sua volta e, automaticamente, não criando amizade com ninguém.

Ninguém deveria evitar esse livro só por ter alguns personagens gays e por  ter preconceitos tolos, pois esse livro, como disse antes, para mim tem como maior tema a amizade e a dificuldade de sermos sinceros com as pessoas a nossa volta. Ele para mim teve várias lições, inclusive sobre depressão e o ‘peso’ ainda presente por ser gay, porém o que me chamou mais atenção é o quanto podemos sofrer ao não ser sinceros com aqueles que amamos e a nós mesmo. Quantas consequências negativas podemos ter ao decidir se isolar do mundo e desistir de interagir com ele. A verdade é: todos nós temos sentimentos e emoções, e ,ao negar isso, estamos somente empurrando a sujeira para debaixo do tapete.

Will & Will  para mim deixa claro como ninguém é perfeito, que todos nós possuímos nossos próprios pesos e cicatrizes, e ao se relacionar com alguém, temos de aceitar não só nossos próprios defeitos quanto o da outra pessoa também. Contudo, podemos usar esse relacionamento para nos autodestruirmos mais ou nos ajudarmos a melhorar, a nos curar.

O livro possui uma grande sensibilidade em todos os seus temas abordados, porém se preocupando de não ser muito pesado em sua leitura; tendo diversos momentos emocionantes, densos (os quais até mesmo chorei), e outros leves, com algumas partes de alívio cômico. Uma leitura bem rápida, mas não sendo boba, pois há momentos em que os autores estão tendo aquela conversa séria com o leitor, mostrando novas possibilidades de questionar antigos hábitos e comportamentos, novas oportunidades de aumentarmos nossa empatia.

Amei o livro, tendo uma grande presença do estilo de John Green na parte de ter momentos ensinando sobre alguma teoria física ou algum fato curioso da cultura pop, o que para mim torna o livro ainda mais divertido. Não tenho muitas críticas negativas, exceto que realmente não me adaptei bem ao estilo de escrita de um dos Will, o qual não tinha letras maiúsculas quase nunca e tinha um diálogo mais parecido com o da internet, mas não foi nada que me atrapalhasse a entrar na história e sentir a emoção do personagem. É um livro muito gostoso e acredito que me ajudou a se tornar uma pessoa melhor.

 

Amor a todos ❤

Lendas do Mundo Emerso: O destino de Adhara

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Informações gerais: escrito por Licia Troisi, livro um da trilogia Lendas do Mundo Emerso, lançado pela editora Rocco. Ficção italiana – fantasia.

Sinopse (retirada da parte de trás do livro): “Uma jovem sem memória. Um guerreiro sem alma. Uma força obscura que aniquila sem o uso da espada.
Após cinquenta anos de paz e prosperidade, uma nova guerra ameaça o Mundo Emerso e novos heróis se preparam para lutar”

Comprei esse livro em uma Bienal do livro, estava curiosa para conhecer a escrita de Licia Troisi, porém confesso que não pesquisei muito sobre a saga do Mundo Emerso e nem se possuía alguma ordem. No fim, acabei escolhendo, sem querer, o primeiro livro da última trilogia deste universo e só descobri isto ao começar a ler O destino de Adhara. Então, já aviso que posso ser injusta com a Licia Troisi ao fazer a resenha deste livro.

A história se foca em uma jovem desmemoriada nomeada de Adhara, porém um ponto positivo do livro é que a escritora não conta a história somente do ponto de vista desta jovem, mas vai mudando o tempo todo de personagem, tanto para os ‘bonzinhos’ quanto para os ‘maus’. O livro tem como objetivo maior nos apresentar (principalmente para pessoas, como eu, que começou pela trilogia ‘errada’) como está funcionando o Mundo Emerso e para conhecermos todos os personagens significantes a este livro. Ao mesmo tempo, Licia Troisi consegue manter um suspense e mistério em diversos momentos.

Uns dos pontos negativos, contudo, é como foi feita a personagem principal e o romance o qual a escritora cismou em criar. Ela sempre coloca, em diversas descrições, como Adhara sabe lutar, tem grandes habilidades de sobrevivência e habilidades furtivas , mesmo não sabendo como adquiriu, mas na maioria das cenas de ação, pelo menos até o meio do livro, a jovem sempre está como uma donzela em perigo. Isso faz com que a personagem se torne uma tola e com a aparência de fraca, tendo, ao que me pareceu, efeito contrário ao objetivo  inicial de Licia Troisi.

O romance para mim foi o pior. Parece ter surgido muito rápido, sem nenhum grande desenvolvimento ou justificativa, parecendo mais uma paixão rápida ou, pior, uma fixação doentia entre os dois personagens em questão. É um romance muito superficial, e que o livro inteiro fica girando o tempo todo em cima dele, como o drama principal da trama. Isso não ajuda a personagem feminina, a qual se torna uma moça totalmente dependente do rapaz e só vivendo por ele. Já que o romance não convence muito com toda essa intensidade, a leitura piora bastante em sua qualidade.

Entretanto, pretendo continuar a ler essa trilogia, mesmo imaginando que esse maldito caso romântico forçado não irá melhorar muito, pois acredito que a personalidade de Adhara pode melhorar com o desenvolvimento da Lendas do Mundo Emerso. Estou também realmente curiosa em qual será o destino do Mundo Emerso em si, apesar das falhas construtivas de alguns personagens.

A proposta então é, para aqueles que ainda ficou em dúvida de ler essa trilogia ou não, eu atualizar essa resenha avisando se realmente me valeu a pena ter continuado a ler essa trilogia.

 

Amor a todos ❤

O conto da aia

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Informações gerais: escrito por Margaret Atwood, lançado pela editora Rocco. Ficção científica – distopia.

Sinopse (retirada do skoob): “Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano.”

Li esse livro por uma recomendação da minha amiga, se não fosse ela, provavelmente nunca leria, pois tinha medo de sofrer muito na leitura. Eu tinha conhecimento da história pela série que está sendo lançada agora, apesar de não tê-la assistido, e sabia da sinopse e de que havia cenas bem fortes nela, me fazendo fugir mais ainda desta leitura. Entretanto, a escrita da autora é de uma forma a qual não permitiu (graças a Deus) de certas cenas serem fortes em demasia para mim, colocando uma quebra nelas com memórias da personagem ou outros acontecimentos. No fim, sou muito grata por minha amiga ter me recomendado O conto da aia, pois adorei a história e as reflexões trazidas por esta obra.

Esta leitura trata de um mundo monstruoso e possível de ocorrer em nosso futuro, por isso, essa resenha será, talvez, uma resenha da qual mais vou expor minhas opiniões e sentimentos.  Nele conta sobre um período que as mulher são separadas em esposas; marthas, as que cuidam da casa; e as aias as quais não tem direito nem mesmo de possuir um nome próprio servindo somente para a fecundação e dar filhos às esposas inférteis.

O conto da aia é uma ficção científica distópica escrito em 1985, e considerei interessante eu tê-lo lido depois de A mão esquerda da escuridão, não pela história de Le Guin (apesar de também tratar de desigualdade de gênero, mesmo que abordado de outra forma), mas pela introdução da Ursula. Nesta última, a autora diz que o escritor de ficção científica não prevê o futuro, ele escreve o que percebe a sua volta e enfeita com “mentiras”. Penso que é por isso deste livro está tão popular, com uma série adaptada de TV tão elogiada, a nossa realidade de agora, mais de 30 anos depois primeiro lançamento do livro, está descrita em cada página deste livro. Isso me assusta, pois isso quer dizer para mim, em pleno momento de pânico, que não avançamos em nada, aquilo visto por Margaret Atwood em 1985 ainda está presente em nossa sociedade, talvez até mais materializada do que na década de 80. Estamos repletos de ódio, não só no Brasil, não só na América, em vários locais ao mesmo tempo. Temos uma epidemia.

Então, sigo minha linha de pensamento, o que não progredimos dentre esses 32 anos para nos identificarmos tanto com este livro maravilhosamente escrito? Na minha humilde opinião, a primeira teoria minha é: continuamos em busca de uma resposta simples a qual resolvida, tudo funcionaria de forma maravilhosa e todos seriam felizes. Podemos fazer isso colocando a culpa no que/ ou quem quisermos, no que estiver vulnerável ou/e em minoria. Depois disso, colocando a mira em um ou mais de um grupo, cria-se uma política que deseja corrigir ou extinguir esse grande “erro”. Sempre queremos e torcemos para ter uma resposta simples ao nosso problema social, com uma resolução simples e rápida de resolvê-lo. Não queremos uma ação a longo prazo, queremos uma ação e resposta imediata. Como o mestre Yoda responde a pergunta do Luke sobre o lado sombrio em comparação ao poder do lado luminoso – O lado negro não é mais poderoso, apenas mais rápido, mais fácil e mais sedutor.

Outro ponto para mim é a nossa habilidade, para nos protegermos a si mesmo, de enxergar na maioria das vezes o outro como um objeto. Não podemos ajudar a todos que estão passando por um problema, não podemos sentir a dor de cada um como fosse a nossa, senão enlouquecemos. Contudo, começar a enxergar um grupo inteiro como objeto, ou como inferior, isso pode se tornar altamente problemático. Não sei se conseguirei me explicar direito e peço desculpa por isto, mas ao ver o outro sempre como inferior ou como algo a ser utilizado, ao desumanizar totalmente alguém, faz com que nós realizemos atos monstruosos e, anteriormente, impensáveis. Para mim é isto o que ocorre em vários momentos desta leitura.

Minha última queixa a nossa sociedade, a qual nos deixa tão próximos do futuro do livro, é nossa insaciabilidade pelo poder. No livro mostrar diversos momentos de luta, de competitividade, de um personagem ou grupo ter mais poder do que outro. Não há problema em ter poder, mas da busca de se sentir maior ou melhor do que o outro, de sentir superior a outras pessoas. Sempre procuramos, nós humanos, nos sentir a cima dos outros. A eterna procura de domínio, ao ponto de acabar, em alguns momentos, aceitando ser subjugado por um (grupo ou pessoa), só para ter outro mais abaixo para dominar. O complexo de ser Deus, o desejo de controle. Ainda estamos nesse ciclo nada saudável, ainda não aceitamos o fato de não haver maiores nem melhores, e, sem aceitar isto, não conseguimos realizar grandes mudanças.

Margaret Atwood me conquistou com sua escrita diferente e sua habilidade de me fazer questionar diversas atitudes, tanto minhas quanto a dos outros. Ela larga uma realidade plausível como um aviso para nós, porém também chama atenção de nossos defeitos atuais como sociedade e seres humanos. Ela nos dá, com esta obra, uma oportunidade de mudarmos nosso caminho e nos tornarem melhores. Recomendo a todos os que gostam de ficção científica e futuro distópico.

 

Amor a todos ❤

Ser Emoção

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Informações gerais: escrito por Leonor Brito, e-book o qual pode-se comprar na Amazon (é só clicar no link). Livros de contos – romântico.

Sinopse: Um livro com cinco contos de diferentes histórias, mas sempre descrevendo uma relação a dois. Contos os quais tem como foco as emoções sentidas.

Esse livro é o primeiro e-book que leio, pois não consigo normalmente me concentrar totalmente se o livro não for físico. Entretanto, ao a escritora visitar o meu blog (o que sou totalmente grata), fui, em troca, conhecer o blog dela e soube deste livro. Amei a escrita de Leonor no blog e fiquei muito curiosa de como seria sua escrita em seu livro, se tinha o mesmo fluxo e suavidade. Devorei o livro.

Sua linguagem é aquela que nos faz sentir na pele de seu personagem, é, igual prometido no título de seu livro, pura emoção. Ela me fez sentir em cada conto, em cada palavra. Seu estilo de escrita me encantou e, sua suavidade, me enfeitiçou ainda mais. As emoções são quase palpáveis, e, para mim, isso é mágico e belo. O amor, único, de cada personagem é real, igual aos nossos próprios sentimentos,e, naturalmente, não precisando de muita explicação. Cada conto fala de uma vida diferente, uma relação a dois diferente, porém com o amor sempre presente em seu tema.

A leitura é rápida, li em 2 horas, o que me ajudou a terminar meu primeiro e-book lido na minha vida. Cada conto me fez entrar em um universo distinto, mas sempre emocionante. O meu conto favorito foi o último: “Futuro de passado”, o qual cheguei a derramar algumas lágrimas. Contudo, todos eles valem a pena, todos muito gostosos de se ler. O preço também é bem baratinho, paguei R$ 4,19.

É muito bonito para mim ter descoberto essa leitura ao visitar o blog de Leonor (para visitá-lo clique aqui), é como estivesse presenciando, testemunhando, os primeiros passos de um grande sucesso.Sinto-me muito grata a ela, por me mostrar a sua bela obra de arte. Espero ansiosamente para o lançamento de seu novo livro.

 

Amor a todos ❤

A mão esquerda da escuridão

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Informações gerais: escrito por Ursula K. Le Guin, lançado pela editora Aleph. Ficção – ficção científica.

Sinopse (retirada do skoob): “Genly Ai foi enviado a Gethen com a missão de convencer seus governantes a se unirem a uma grande comunidade universal. Ao chegar no planeta Inverno, como é conhecido por aqueles que já vivenciaram seu clima gelado, o experiente emissário sente-se completamente despreparado para a situação que lhe aguardava. Os habitantes de Gethen fazem parte de uma cultura rica e quase medieval, estranhamente bela e mortalmente intrigante. Nessa sociedade complexa, homens e mulheres são um só e nenhum ao mesmo tempo. Os indivíduos não possuem sexo definido e, como resultado, não há qualquer forma de discriminação de gênero, sendo essas as bases da vida do planeta. Mas Genly é humano demais. A menos que consiga superar os preconceitos nele enraizados a respeito dos significados de feminino e masculino, ele corre o risco de destruir tanto sua missão quanto a si mesmo.”

Este livro foi me recomendado pelo canal do Youtube da Aleph, a qual havia uma resenha do livro contando também um pouco da escritora. Decidi, mesmo um pouco temerosa, a experimentá-lo e não me arrependi nenhum pouco. Ursula K. Le Guin desde sua introdução neste livro (a qual vale muuuuito a pena ler) já mostra a sua sensibilidade, ela nada impõe ou tenta nos convencer, mas vai nos conquistando devagar, mostrando seu ponto de vista de modo suave e discreto ao longo da leitura. O livro é do tipo o qual li devagar para poder digeri-lo aos poucos, tentando capturar o máximo possível dos detalhes; porém fui me empolgando cada vez mais na história. Para aqueles que querem uma história imprevisível e gostam de uma boa ficção científica, recomendo de coração aberto.

O livro já começa com Genly Ai há alguns meses no planeta Gethen, um lugar onde está passando por uma era glacial, e, por isso, é conhecido pelo nome Inverno. Genly, pelo menos para mim, não é um personagem apaixonante, nem altamente heroico, ele é um homem repleto de preconceitos e ideias fixas imbecis em sua cabeça, me irritando muitas vezes por suas opiniões declaradas em seu diário. Sua fala muitas vezes coloca como feminino ou afeminado somente os defeitos como: competividade, bisbilhotamento, falsidade… provando, para mim, uma plena confusão da definição de caráter e personalidade com sexualidade. Apesar disso, também me deparei com meus próprios preconceitos, me aproximando com Sr. Ai, ao me perceber muitas vezes confusa de como essa sociedade funciona sem ter um sexo definido, como seu modo de reprodução e de organização.

Achei muito bonito alguns pontos colocados pela autora e um deles foi o fato de qualquer ser humano do planeta de Gethen poder engravidar e como isso já a faz uma sociedade tão diferente da nossa. Por eles poderem ampliar, ou as características dos homens, ou das mulheres, em cada kemmer (um tipo de ‘cio’), todos conseguem se colocar no papel de criador, de paternidade e maternidade, trazendo consequências belas para a sua organização social. Ao ler sobre isto realmente me emocionou e pensei em como é realmente mais fácil compreender ao outro quando se passa pela mesma situação que a dele.

Outro ponto a qual me chamou muita atenção foi uma rápida discussão da diferença de um patriotismo de amor a sua nação, para outro repleto de medo e raiva. Na primeira há o orgulho e vontade de trazer o melhor para sua terra, mesmo isso ajudando as nações a sua volta como consequência. Na outra há medo dos governos diferentes do seu, da invasão, da mudança, e, trazendo assim, uma raiva e ódio a todos os forasteiros. Qual é o preço que se paga por estes medos? Pois, em Gethen não existe nem mesmo palavra para guerra, pois, provavelmente, por viverem um planeta já muito hostil em seu clima, há muitas limitações de alimentos e de proteção. Qual seria o preço do progresso feito por guerras e competitividades entre as nações? Cada passo neste planeta pode significar o extermínio da espécie, se não houver cuidado; e cada colaboração e acolhimento pode salvar diversas vidas. O que é a competitividade entre nações perto de uma extinção da humanidade?

A autora escreve de modo tão brilhante que tive um impacto cultural junto com o personagem, com falta de rótulos comuns a mim, com a linguagem e organização de datas diferentes das nossas. Encontrei até mesmo problemas com as definições diferentes dadas pelo próprio Genly Ai, pois ele não veio da mesma Terra que a nossa, pelo menos, não na do tempo em que vivemos. Entretanto, não se assuste com isso, no final do livro tem uma explicação de como funciona o tempo de Gethen, e há textos dentro da história os quais explicam as demais informações importantes sobre essa cultura tão complexa e rica do planeta Inverno. Leia sem preocupar tanto em entender, pois as coisas vão se esclarecendo ao longo da leitura com a suavidade e paciência de Ursula K. Le Guin.

Aqui não passei nenhum spoiler do que acontece nessa história, porém, tentei mostrar como Ursula K. Le Guin discute, com sua simplicidade e suavidade, diversos assuntos. Decidi não tratar todos, mas somente aqueles que já podem ser encontrados desde o início da leitura e que me me chamaram muita atenção. É uma leitura rica sem tirar sua diversão e leveza. Espero ter feito uma resenha a altura deste livro maravilhoso. Lerei outros livros dela com certeza!

 

Amor a todos ❤

Os bons segredos

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Informações gerais: escrito por Sarah Dessen, lançado pela editora seguinte. Ficção – Infanto-juvenil.

Sinopse (retida da parte de trás do livro): “A convivência de Sydney com os pais estava cada vez mais difícil desde que Peyton, seu irmão mais velho, foi preso por causar um acidente que deixou um garoto paraplégico. Sydney parecia a única a responsabilizar o irmão, ao contrário de seus pais, que enxergavam o filho como vítima.
Certa tarde, para fugir desse clima insuportável, em vez de voltar para casa, Sydney entra numa pizzaria ao acaso. Lá conhece Layla, filha do dono do restaurante, e a amizade entre as duas é instantânea. Logo Sydney se vê contando à garota segredos que ninguém mais sabe. Nesses encontros com a nova amiga, Sydney também descobre outro prazer: entregar pizzas e assim pode espiar  fragmentos da vida das pessoas. Mas ela vai perceber que chegou a hora de abandonar o ponto de vista de mera observadora e assumir o papel de protagonista de sua própria vida.”

Este é o primeiro livro que leio da Sarah Dessen, e soube dela pelo snapchat da editora Seguinte. Esse livro me atraiu por ter em entre um dos seus temas os diferentes tipos de relacionamentos e o sentimento de se sentir invisível. Contudo, o livro discuti muito mais, ele fala também do sentimento de mudança, dos diferentes pontos de vista e compreensões sobre o mundo e pessoas ao nosso redor, de nossas vulnerabilidades e nossos dons. É um livro com uma leitura leve e rápida, tendo como foco a adolescência, porém não se limitando só a nisso, conseguindo acolher outros públicos além dos jovens. Não tive uma super identificação com o livro, provavelmente por já ter passado pelo ensino médio e a adolescência, mas tive sim alguma empatia e reconhecimento com os sentimentos dos personagens, chorando e me emocionando em várias partes.

O livro começa com toda a família recebendo a sentença de Peyton, irmão de Sidney, pelo juiz, e a autora usa, a partir daí, em várias outras situações, referências e metáforas sobre a espera e o final de um julgamento; mostrando o quanto foi marcante isso para Sidney e a família.A personagem principal no início é pura culpa e raiva pelo atos do irmão e da família, com a mãe sempre abrandando o comportamento de Peyton, o irmão sempre se envolvendo em problemas e o pai se mantendo distante da família, se focando mais em seguir a mãe e/ou resolver os problemas encontrados em seu trabalho. Peyton, desde de sempre atrai atenções por sua beleza e carisma naturais, e a partir do ensino médio começou a se envolver em problemas cada vez mais grave até o momento de atropelar bêbado um adolescente 15 anos voltando para casa.

Por isso, Sidney sempre se sentiu na sombra de seu irmão, invisível a todos, inclusive na escola, por estudar no mesmo local do irmão; e decidi fugir disso, se mudando para uma escola onde ninguém conhecia ela e sua família. A personagens principal, ao longo da leitura, então, vai criando novas amizades e evoluindo com seus relacionamentos; percebendo que, do mesmo jeito que não a enxergavam, ela não conseguia mais ver como era seu irmão, cometendo o mesmo erro de sua família com ela.

Com essa diferença entre os irmão, e de outros personagens, a autora também mostra que nenhum dos dois extremos é positivo, nem a invisibilidade, nem a atenção extrema. Em um as necessidades, a personalidade e os problemas da pessoa são totalmente ignorados, porém no outro a pessoa se sente na necessidade de se manter sempre dentro das expectativas dos outros, ficando presa em hábitos e padrões nem sempre positivos. Peyton, sem querer fica sempre no holofote, se torna um fantasma na vida irmã, sempre a assombrando de alguma forma, mesmo ausente fisicamente. Sidney e Peyton, com sua diferenças, tem a mesma questão a ser resolvida, o como se expressar e mudar sua vida. Todo mundo tem seu assunto delicado – como diz Mac um momento para Sidney, e sempre algo complicado de se mostrar, conversar e transformar.

A escola nova é o modo da personagem principal tirar um pouco o foco no irmão para se dar espaço de mudar,mantendo em segredo a prisão do irmão, pelo menos até conhecer Layla e sua família. Eles, do seu jeito de ser, vai mostrando novas perspectivas e dando novas oportunidades de Sidney se desenvolver, incluindo ela em suas vidas e conseguindo vê-la. Com os Chathams, ela descobre que pode existir bons segredos, surpresas boas ao continuar seguir em frente e enfrentar os obstáculos apresentados na sua vida.

É um livro bonito o qual consegue tratar de diversos assuntos com grande sensibilidade e leveza, dentre eles uns bem delicados. Eu conseguir ver perfeitamente a evolução, não só da personagem principal, como o de todos a sua volta. Leria tranquilamente as outras obras da autora. É uma ótima leitura para quem quer se distrair e, ao mesmo tempo, se emocionar

 

Amor todos ❤