A mão esquerda da escuridão

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Informações gerais: escrito por Ursula K. Le Guin, lançado pela editora Aleph. Ficção – ficção científica.

Sinopse (retirada do skoob): “Genly Ai foi enviado a Gethen com a missão de convencer seus governantes a se unirem a uma grande comunidade universal. Ao chegar no planeta Inverno, como é conhecido por aqueles que já vivenciaram seu clima gelado, o experiente emissário sente-se completamente despreparado para a situação que lhe aguardava. Os habitantes de Gethen fazem parte de uma cultura rica e quase medieval, estranhamente bela e mortalmente intrigante. Nessa sociedade complexa, homens e mulheres são um só e nenhum ao mesmo tempo. Os indivíduos não possuem sexo definido e, como resultado, não há qualquer forma de discriminação de gênero, sendo essas as bases da vida do planeta. Mas Genly é humano demais. A menos que consiga superar os preconceitos nele enraizados a respeito dos significados de feminino e masculino, ele corre o risco de destruir tanto sua missão quanto a si mesmo.”

Este livro foi me recomendado pelo canal do Youtube da Aleph, a qual havia uma resenha do livro contando também um pouco da escritora. Decidi, mesmo um pouco temerosa, a experimentá-lo e não me arrependi nenhum pouco. Ursula K. Le Guin desde sua introdução neste livro (a qual vale muuuuito a pena ler) já mostra a sua sensibilidade, ela nada impõe ou tenta nos convencer, mas vai nos conquistando devagar, mostrando seu ponto de vista de modo suave e discreto ao longo da leitura. O livro é do tipo o qual li devagar para poder digeri-lo aos poucos, tentando capturar o máximo possível dos detalhes; porém fui me empolgando cada vez mais na história. Para aqueles que querem uma história imprevisível e gostam de uma boa ficção científica, recomendo de coração aberto.

O livro já começa com Genly Ai há alguns meses no planeta Gethen, um lugar onde está passando por uma era glacial, e, por isso, é conhecido pelo nome Inverno. Genly, pelo menos para mim, não é um personagem apaixonante, nem altamente heroico, ele é um homem repleto de preconceitos e ideias fixas imbecis em sua cabeça, me irritando muitas vezes por suas opiniões declaradas em seu diário. Sua fala muitas vezes coloca como feminino ou afeminado somente os defeitos como: competividade, bisbilhotamento, falsidade… provando, para mim, uma plena confusão da definição de caráter e personalidade com sexualidade. Apesar disso, também me deparei com meus próprios preconceitos, me aproximando com Sr. Ai, ao me perceber muitas vezes confusa de como essa sociedade funciona sem ter um sexo definido, como seu modo de reprodução e de organização.

Achei muito bonito alguns pontos colocados pela autora e um deles foi o fato de qualquer ser humano do planeta de Gethen poder engravidar e como isso já a faz uma sociedade tão diferente da nossa. Por eles poderem ampliar, ou as características dos homens, ou das mulheres, em cada kemmer (um tipo de ‘cio’), todos conseguem se colocar no papel de criador, de paternidade e maternidade, trazendo consequências belas para a sua organização social. Ao ler sobre isto realmente me emocionou e pensei em como é realmente mais fácil compreender ao outro quando se passa pela mesma situação que a dele.

Outro ponto a qual me chamou muita atenção foi uma rápida discussão da diferença de um patriotismo de amor a sua nação, para outro repleto de medo e raiva. Na primeira há o orgulho e vontade de trazer o melhor para sua terra, mesmo isso ajudando as nações a sua volta como consequência. Na outra há medo dos governos diferentes do seu, da invasão, da mudança, e, trazendo assim, uma raiva e ódio a todos os forasteiros. Qual é o preço que se paga por estes medos? Pois, em Gethen não existe nem mesmo palavra para guerra, pois, provavelmente, por viverem um planeta já muito hostil em seu clima, há muitas limitações de alimentos e de proteção. Qual seria o preço do progresso feito por guerras e competitividades entre as nações? Cada passo neste planeta pode significar o extermínio da espécie, se não houver cuidado; e cada colaboração e acolhimento pode salvar diversas vidas. O que é a competitividade entre nações perto de uma extinção da humanidade?

A autora escreve de modo tão brilhante que tive um impacto cultural junto com o personagem, com falta de rótulos comuns a mim, com a linguagem e organização de datas diferentes das nossas. Encontrei até mesmo problemas com as definições diferentes dadas pelo próprio Genly Ai, pois ele não veio da mesma Terra que a nossa, pelo menos, não na do tempo em que vivemos. Entretanto, não se assuste com isso, no final do livro tem uma explicação de como funciona o tempo de Gethen, e há textos dentro da história os quais explicam as demais informações importantes sobre essa cultura tão complexa e rica do planeta Inverno. Leia sem preocupar tanto em entender, pois as coisas vão se esclarecendo ao longo da leitura com a suavidade e paciência de Ursula K. Le Guin.

Aqui não passei nenhum spoiler do que acontece nessa história, porém, tentei mostrar como Ursula K. Le Guin discute, com sua simplicidade e suavidade, diversos assuntos. Decidi não tratar todos, mas somente aqueles que já podem ser encontrados desde o início da leitura e que me me chamaram muita atenção. É uma leitura rica sem tirar sua diversão e leveza. Espero ter feito uma resenha a altura deste livro maravilhoso. Lerei outros livros dela com certeza!

 

Amor a todos ❤

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Como Star Wars conquistou o universo

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Informações gerais: escrita por Chris Taylor, lançado pela editora Aleph. Biografia – não-ficção.

Sinopse (retirada do Skoob): “Por várias gerações, Star Wars tem arrastado fãs de todas as idades aos cinemas, às lojas de brinquedos, às livrarias — praticamente a todo lugar que se vai, Star Wars está presente como uma entidade maior do que os filmes da saga. É indiscutivelmente o maior fenômeno da cultura pop, tão abrangente em todos os sentidos que mesmo aqueles que não assistiram ao filme conhecem a figura de Darth Vader e a maior revelação da história criada pelo cineasta George Lucas.
Em um trabalho jornalístico surpreendente, Chris Taylor revela segredos que até o fã mais radical desconhecia, derruba e confirma antigos mitos e rumores sobre sua produção, e dá voz a todo mundo que foi relevante na criação de Star Wars como um todo, de aliados a desafetos de George Lucas. Porém, apesar de falar sobre Star Wars, o livro vai muito além: fala sobre cinema em geral, administração, gerenciamento de marca e até determinação pessoal.”

A primeira vez que vi esse livro foi no Abdução no canal do youtube da Aleph e fiquei curiosa. Depois, na Jedicon 2016, no estande da Aleph, meu marido resolveu me dar junto com outros livros que eu ainda não tinha de Star Wars, tanto legends como os novos cânones. Apesar disso, tenho uma preguiça de começar a ler biografias ou livros de não ficção, normalmente são livro os quais possuem momentos lentos e cansativos na leitura, a informação nem sempre consegue ser transmitida de forma leve. Bem, na minha opinião, esse livro, o escritor consegue passar todas as milhões de informações de forma leve, divertida e, muitas vezes, interagindo com leitor. Finalizei esse livro antes de o esperado e com grande sorriso no rosto.

A Aleph tem sempre um carinho muito grande em suas edições, então acho justo eu falar sobre a aparência do livro tão bem trabalhada, tanto dentro, quanto fora. Como é tipo uma biografia do universo de Star Wars, no meu ponto de vista, e como muitas pessoas são parecidas comigo na parte ter um pouco de preguiça de comprar e ler um livro biográfico, a Aleph colocou os diversos elogios feitos por diversos críticos e pessoas famosas, dando uma maior vontade para ler e conhecer o livro. Na capa tem um Darth Vader, porque tem alguma coisa que seja mais simbólica do Star Wars do que o Darth Vader? A edição é similar a todas as edições da editora referente a Star Wars, páginas amareladas na leitura, mas sendo intercalada de páginas pretas nas divisões dos capítulos e nas páginas iniciais do livro. O único ponto negativo para mim, é que, provavelmente para deixar o livro enorme um pouco mais compacto, a fonte é menor e eu não gosto de ler livros com letras pequenas, força muito a vista para mim, me obrigando a ler sempre de óculos, e deixa muito vezes a leitura menos fluida.

A leitura valeu muito a pena, gostei tanto que assim que a terminei já comecei a trabalhar na resenha do livro, para eu não me esquecer nenhuma parte importante. O livro começa falando de o início da vida de George Lucas e, ao mesmo tempo, sobre uma tribo Navajo em que há pouco tempo os filmes originais de Star Wars foram dublados para a língua Navajo como um incentivo para os jovens darem mais atenção a sua cultura Navajo e aprender sua língua. Não consigo explicar a escrita de Chris Taylor muito bem, porém ele usa essa forma de escrever para contar a vida de George Lucas, e depois, dos filmes, intercalando com as histórias dos que foram envolvidos por esse universo apaixonante de Star Wars. Isso deu uma fluência maior a leitura, deixando mais curiosa e com mais informações.

O livro foi me prendendo de forma sutil, depois da introdução eu já estava mais curiosa de como iria ser o livro, depois de o primeiro capítulo eu já não queria mais largá-lo, mesmo com sua letrinha pequena. Até mesmo as notas de rodapé da tradução foram interessantes. Chris Taylor interage com o leitor, parecendo muitas vezes está conversando com você; ele passa um pouco de sua paixão por Star Wars a cada página escrita, tanto de forma implícita como explícita. Conta várias fofocas e fatos os quais Star Wars é o principal assunto, conta de como é o envolvimento de diversos fãs com esse universo, conta sobre curiosidades e fenômenos muito divertidos de se saber. O autor chega a discutir sobre os prólogos e tenta ensinar a aqueles que não conseguiram digeri-los até hoje, a aceitá-los, a como a sofrer menos com a existência dos episódios de I ao III.

O livro tem muitos fatos, e para absorvê-los todos eles, terei de sempre de consultá-lo. A escrita é realizada de forma apaixonada e empolgante, seu conteúdo é sempre relevante. Adorei muito a experiência de tê-lo lido e indico não só aos fãs de Star Wars quanto a todos os estudiosos de cinema e da cultura pop. No fim da minha leitura, este livro se tornou um dos meus favoritos.

 

Amor a todos ❤

O planeta dos macacos

Informações gerais: escrito por Pierre Boulle, lançado pela editora Aleph. Ficção – ficção científica.

Sinopse do livro (retirada da parte de trás do livro): “Em um futuro não muito distante, três astronautas pousam em um planeta bem parecido com a Terra, repleto de florestas luxuriantes e com clima ameno e ar perfeitamente respirável. Mas esse lugar – um pretenso paraíso – não é o que parece. Em pouco tempo, os desbravadores do espaço descobrem a terrível verdade:nesse mundo, seus pares humanos não passam de bestas selvagens a serviço da espécie dominante… os macacos.
Desde as primeiras páginas até o surpreendente final – ainda mais impactante que a famosa cena final do filme de 1968 -, O planeta dos macacos é um romance de tirar o fôlego, temperado com uma boa dose de sátira. Nele, Boulle revisita algumas questões mais antigas da humanidade: O que define o homem? O que nos diferencia dos animais? Quem são os verdadeiros inimigos da nossa espécie?
Publicado pela primeira vez em 1963, O planeta dos macacos, de Pierre Boulle, inspirou uma das mais bem-sucedidas franquias da história do cinema, tendo início no clássico de 1968, estrelado por Charlton Heston, passando por diversas sequências e chegando às adaptações cinematográficas mais recentes. Com milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo. O planeta dos macacos é um dos maiores clássicos da ficção científica, imprescindível aos fãs da cultura pop.”

Comicamente, ainda não assisti o primeiro filme do Planeta dos macacos, somente os dois últimos lançados, então, quando vi que a editora Aleph (uma das editoras mais queridinhas por mim ❤ ) tinha lançado ele, comprei assim que pude e terminei de lê-lo por agora. Achei interessante eu ler antes de eu assistir os filmes mais antigos, porque assim seria como lesse uma história quase desconhecida para mim, e valeu a pena esse plano. Os novos filmes tem semelhanças com o que o autor passa, mas não com a história por ele escrita. A história tem um final surpreendente, o qual, eu já soube antes de começar o livro, é diferente do final do filme. A leitura também é todo momento uma crítica e questionamento da humanidade e do desenvolvimento do ser humano.

O livro é dividido em três partes bem marcadas por “desenhos” abstratos, além de possuir no final entrevista com autor, um artigo e um posfácio maravilhosos! A capa para mim também é muito interessante, não possui orelhas e já nos apresenta um pouco do que encontraremos ao longo da leitura. Demorei umas 70 páginas para pegar o ritmo da leitura, pois achei o início muito parado, sem muita ação, porém foi um livro muito divertido para mim no final das contas. O início pode ser lento, mas é necessário para entendermos a história a fundo, os motivo dos personagens começarem suas aventuras e para nos deixar curiosos com várias questões as quais vão aparecendo no livro e não irei contar para não estragar a leitura de ninguém.

Adoro livros como esse, que o autor praticamente discuti conosco, distribuindo todas as suas ideias e questões, mesmo aquelas que possuem muito a influência da época a qual o livro foi escrita. A história é levemente machistas em alguns momentos, mas não de uma forma que estrague a leitura. Pierre Boulle me fez pensar muito sobre do até que ponto somos civilizados, até que ponto não somos selvagens e o quanto somos arrogantes de todo o modo possível. O livro me fez questionar muito sobre nossa rotina, nossa cultura e das ações das nossas ciências, ele me fez pensar em nossos preconceitos e nosso comportamento diário.  A maior parte do livro também é em primeira pessoa, logo podemos atribuir muitos julgamentos e preconceitos ao personagem em si, me fazendo mais ainda olhar para dentro de mim e tentando enxergar como agiria em várias situações…

Adorei o livro e agora me sinto pronta para assistir os filmes antigos! Acho uma leitura boa para todos, principalmente para aqueles que amam ficção científica e para aqueles que assistiram os filmes. Adorei o jeito do Pierre Boulle escrever.

 

Amor a todos ❤

A armadilha do paraíso (Trilogia Han Solo – livro 1)

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Informações gerais  escrito por A. C. Crispin, Star Wars Legends, lançado pela editora Aleph. Ficção – ficção científica.

Sinopse do livro (retirada do Skoob): “Depois de uma infância de maus tratos e abandono, o jovem Han Solo finalmente foge das garras de um grupo de contrabandistas para seguir seu sonho de se tornar um grande piloto. Mas a realidade de exploração e injustiça nem sempre é fácil de ser deixada para trás, e seu novo emprego em Ylesia, um retiro para peregrinos religiosos, revela não ser o paraíso que os sacerdotes anunciam. Han precisará de toda a sua malícia e a sua astúcia para sobreviver às armadilhas em seu caminho, sejam as de contrabandistas inescrupulosos ou as de falsos profetas e seus interesses escusos. Nesta clássica e aclamada trilogia, A. C. Crispin conta a história da origem de um dos mais cativantes personagens de STAR WARS, da infância de Han Solo a bordo de uma nave até o momento em que seu destino se cruza com o dos últimos Jedi da galáxia.”

Esse livro é muito bem escrito e explica já desde esse primeiro livro da trilogia muitos dos comportamentos de Han. A autora foi fiel desde o início com esse personagem que amamos tanto, não mudando em nada a sua personalidade, mas nós fazendo conhecer um pouco mais dele e de sua origem, adicionando novas informações e histórias por ele vivida. No livro começamos a ver um pouco da infância que Han consegue lembrar; como ele inicia a grande amizade com os wookies, sendo praticamente educado por uma; sua alta capacidade de sobrevivência; e seu sorriso torto sempre presente. Não só Han Solo é muito bem retratado, como todos os novos são muito bem construídos, me fazendo compreender suas personalidades e decisões… não nego que alguns entraram em meu coração.

Gostei muito também do modo que a autora descreve os lugares por onde o livro passa, suas culturas e modo de vida. Yleisa, desde seu início, como seu clima e sua aparência, já não me parece muito um paraíso, porém vamos entendendo o porquê é um retiro para peregrinos religiosos e como o local realmente funciona. O livro também descreve e nos faz conhecer um pouco mais de Corelia e outros planetas, a cultura, os problemas,e como são seus habitantes.

O livro não é sempre repleto de ação, porém, para mim, a leitura foi muito suave e prazerosa, me fazendo, não só amar mais ainda Han Solo, como conhecer novas espécies e lugares do universo expandido maravilhoso de Star Wars. Aguardo ansiosamente o segundo livro, para saber ainda mais como Han Solo se tornou aquele que conhecemos no filme episódio IV de Star Wars.

 

Amor a Todos ❤