Cartas de amor aos mortos

Informações gerais: escrita por Ava Dellaira, lançado pela editora Seguinte. Ficção – leitura juvenil.
Sinopse do livro (retirada da parte de trás do livro): ” Tudo começa com uma tarefa para escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto  de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger… apesar de jamais entregá-las à professora. O que parecia uma simples lição de casa logo se transforma na maneira de Laurel lidar com seu primeiro ano em uma escola nova e com a família despedaçada depois da morte de sua irmã.”

Cartas de amor aos mortos me surpreendeu, comprei o livro por envolver músicas e por ele todo ser escrito em forma de várias cartas. Entretanto, não sabia direito do que iria se tratar, são muitos livros os quais falam da vida adolescente e de suas dificuldades, isso não significa que a leitura será leve a ser tratados certos assuntos, ou que será bem escrita. É um tema muito presente na literatura infatojuvenil, mudando somente os certos tipos dificuldades daquele adolescente. Ava Dellaira fez de tudo isso de uma forma muito original e mantendo uma linguagem mais leve possível.

Já que Laurel perdeu sua irmã, o livro trata de como ela vai começar essa nova fase, a entrada no ensino médio, junto com o seu processo de luto. No inicio ela não fala muito diretamente de como sua irmã morreu, ou do porquê a família dela é do jeito que encontramos, e nem aprofunda muito nos seus sentimentos. Ela começa escolhendo Kurt Cobain, pois sua irmã amava a banda Nirvana e apresentou a ela, e Laurel começa a contar simplesmente sobre os primeiros dias na escola nova e da saudade sempre presente de sua irmã. Depois disso, ela continua escrevendo cartas para artista famosos que morreram, mas escrevendo para vários, escolhendo para quem irá escrever de acordo com o sentimento e lembrança trazidos a ela no momento em que escreve. Conforme as cartas são escritas ela vai se descobrindo, se aprofundando mais em seu sentimentos, revelando mais de seu passado e de sua família.

Achei lindo desde o início o modo o qual a personagem escreve para esses artistas, todos envolvidos de algum modo na sua vida, mesmo nunca a conhecendo e estando mortos. É muito pessoal, repleto de uma confidencialidade e afeição a todos, ela desabafa, discuti crítica e consola cada um deles. Ela relaciona aquilo que eles sentiram com o que possivelmente sua irmã estava passando antes de morrer, a falta desses artitas para amigos e familiares deles, com a falta de May na vida de Laurel e de cada um membro de sua família. Sua irmã era um tipo de base para ela, um exemplo, e agora a personagem se sente desorientada sem a irmã numa fase importante da sua vida. É lindo também a relação de May com sua irmã mais nova, tentando sempre protegê-la do mau do mundo, dos problemas de seus pais, e criando um mundo mágico para Laurel.

Laurel não vai passando pelo luto e seus medos sozinha, em pouco tempo ela cria amizades com os “estranhos comuns”. Eles, então, inicia uma cumplicidade em vários momentos, compartilham entre eles seus gostos musicais, as dificuldades diferentes que cada um está passando e suas alegrias. Com eles, Laurel continua seu auto-descobrimento, processando seu luto e seus traumas, vencendo os obstáculos presentes dentro dela.

O livro me fez chorar do início ao fim, por sua beleza e pela sensibilidade da autora em falar levemente sobre temas tão pesados. Ela trata tudo com delicadeza e cuidado, tendo uma grande responsabilidade ao escrever sobre o luto, sobre as relações familiares e românticas, e outros milhares de temas. Amei essa leitura!

 

Amor a todos ❤

 

 

As Crônicas de Artur

Informações gerais: trilogia escrita por Bernard Cornwell, começando com o livro O rei do inverno, todos os livros lançados pela editora Record. Ficção – ficção histórica.

Sinopse do primeiro livro, O rei do inverno (retirada do Skoob): “O Rei do Inverno conta a mais fiel história de Artur, sem os exageros míticos de outras publicações. A partir de fatos, este romance genial retrata o maior de todos os heróis como um poderoso guerreiro britânico, que luta contra os saxões para manter unida a Britânia, no século V, após a saída dos romanos. “O livro traz religião, política, traição, tudo o que mais me interessa,” explica Cornwell, que usa a voz ficcional do soldado raso Derfel para ilustrar a vida de Artur. O valoroso soldado cresce dentro do exército do rei e dentro da narrativa de Corwell até se tornar o melhor amigo e conselheiro de Artur na paz e na guerra.”

Eu amei esse livro e toda a trilogia e recomendo a todos que curta uma boa história, bem escrita e cheia de detalhes.

Essa leitura, mesmo não tendo tanta base histórica e precisando preencher vários pedaços com a imaginação e suposições do autor, me ensinou vários detalhes da época em que se passa. É repleto de informações interessantes e Bernard Cornwell sabe descrever na medida certa tanto as batalhas quanto as cenas mais tranquilas. Amei o personagem principal, com todas as suas dificuldades, gostos e ações. Nenhum momento ele se mostra sendo perfeito, mas uma pessoa com uma história de vida fantástica, afinal, além de sua própria história ser muito interessante, ele também acompanhou a história de Artur e conta toda ela em seu ponto de vista.

O autor no livro O inimigo de Deus (calma, não tem spoilers), o segundo livro, já fala que não tem a presunção de mostrar essa história como A real história de Artur, mas sim como mais uma versão. O conselho é não se prender nos fatos como eles sendo verdadeiros ou não serem como pensamos que tenha sido de fato, mas em que podemos refletir a partir disso e abrir espaço, em certas situações, até para novas possibilidades. Há personagens que talvez não sejam como esperávamos ou do modo como são descritos nas outras versões do Rei Artur, mas se desapegarmos desse “problema”, a leitura se tronar deliciosa e os deixarão ansiosos para ler continuar lendo essa obra. Ou seja, se simplesmente curtimos a leitura, vemos que é uma história em que não nos decepciona em nenhum momento, principalmente na qualidade da escrita.

Outro conselho é ler não esperando o inicio do O rei do inverno ser super motivador ou só pensar em criticar o livro, pelo menos, até chegar mais perto do meio da narrativa. Devo confessar que, da primeira vez, tentei ler o primeiro livro e parei na página 60 ou 70 e alguma coisa, deixando a leitura para depois, quando algo me empolgasse a tentar ler esse livro de novo… Um tempo depois essa vontade me veio de novo, e antes de começar, li algumas resenhas de blogs, livrarias e do Skoob, e em uma delas, não lembro mais qual, avisava que se você passasse da página 100 a leitura deixava de ser tão desafiadora e passava a ser mais empolgante e maravilhosa. Essa pessoa estava certa.

Escrevi essa resenha depois de ler o último livro, então garanto que adorei As Crônicas de Artur! O autor sabe descrever na medida certa as batalhas e as cenas mais tranquilas, desde as primeiras páginas de toda trilogia .Há detalhes no primeiro livro que são importantes, apesar de não parecer, mas quando vai se chegando mais próximo do final, entendemos o porque de aquelas partes terem sido contadas. Aquilo que parecia tão lento e desnecessário no inicio, se mostrou de grande importância para o final da trilogia.

Bernard Cornwell consegue fazer você mudar seus sentimentos pelos personagens junto com Derfel, faz você seguir a todo tempo a linha de pensamento do personagem e compreendê-lo a cada segundo. Todas as conversas de Derfel com Igraine são também muito interessantes, já que muitas das perguntas dela são também nossas, ou as respostas são como justificativas dadas pelo autor do porquê livro ter seguido por certo caminho ao invés de outro mais conhecido ou tradicional.

O final (sem spoilers) não decepciona nenhum pouco os leitores, ele finaliza de modo brilhante, que, sinceramente, me deixou com lágrimas nos olhos. Os personagens são complexos e maravilhosamente formulados do inicio ao fim, principalmente Derfel. Como eu disse anteriormente, ninguém é perfeito e isso torna muitos personagem mais ainda incríveis, pois a todo momento superam seus desafios, mesmo estes parecendo batalhas perdidas.

A trilogia é muito bem escrita e cheia de curiosidades, e o personagem principal é fantástico. Valeu a pena ler!! Essa foi a primeira obra que leio de Bernard Cornwell e só me fez querer ler mais livros escritos por ele. Essa trilogia ganhou um lugar no meu coração.

 

Amor a todos ❤

Pax

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Informações gerais: escrito por Sara Pennypacker, ilustrado por Jon Klassen, lançado pela editora Intrínseca. Ficção – infantojuvenil.

Sinopse (retirada do skoob): “Peter e sua raposa são inseparáveis desde que ele a resgatou, órfã, ainda filhote. Um dia, o inimaginável acontece: o pai do menino vai servir na guerra, e o obriga a devolver Pax à natureza. Ao chegar à distante casa do avô, onde passará a morar, Peter reconhece que não está onde deveria: seu verdadeiro lugar é ao lado de Pax. Movido por amor, lealdade e culpa, ele parte em uma jornada solitária de quase quinhentos quilômetros para reencontrar sua raposa, apesar da guerra que se aproxima. Enquanto isso, mesmo sem desistir de esperar por seu menino, Pax embarca em suas próprias aventuras e descobertas.
Alternando perspectivas para mostrar os caminhos paralelos dos dois personagens centrais, Pax expõe o desenvolvimento do menino em sua tentativa de enfrentar a ferocidade herdada pelo pai, enquanto a raposa, domesticada, segue o caminho contrário, de explorar sua natureza selvagem. Um romance atemporal e para todas as idades, que aborda relações familiares, a relação do homem com o ambiente e os perigos que carregamos dentro de nós mesmos.
Pax emociona o leitor desde a primeira página. Um mundo repleto de sentimentos em que natureza e humanidade se encontram numa história que celebra a lealdade e o amor.”

A primeira palavra a qual surge na minha cabeça ao terminar esse livro é Unidade. Esse livro conta a história da grande união de uma criança com seu animal de estimação, o amor de um pelo outro, a devoção e zelo dos dois. Além dessa união, vem o significado maior de Unidade, a filosofia de que todos os seres estão ligados um com o outro, como diz Peter (a criança) o “dois, mas não dois”. A capacidade de sentirmos, não só a si mesmo, como os seres a nossa volta, podendo até mesmo termos a capacidade de sentir os sentimentos de um outro ser com grande precisão.

A guerra, porém, traz consequências e acho que essa foi uma das grandes intenções de Sara Pennypacker mostrar em seu livro. A guerra traz separações, perdas, sacrifícios, destruição de tudo a sua volta, e ninguém enxerga muito bem o que realmente é a guerra em todas as suas partes até esta começar. Ficamos “doentes”, pois ela afeta a todos, sem exceções, da criança ao idoso, de uma criança a sua raposa, influência de forma intensa nossas ações e nosso comportamento. Mesmo quando a guerra acaba, todos envolvidos trazem mudanças permanentes dentro de si, traumas, raiva, culpa, lembranças a serem trabalhadas. Por mais necessária que seja a guerra, ela trará junto uma pesada carga de responsabilidades e consequências a todo mundo.

Outro tema sempre presente neste livro é a agressividade, a agressividade necessária para lidarmos com o mundo e aquela presente em excesso, a qual só traz destruição. Peter tem o problema de aceitar a sua e, ao sair na sua jornada para reencontrar sua raposa, ele também acaba tendo também uma jornada de aceitação da sua raiva e de iniciar o seu autoconhecimento. O medo de ter a mesma agressividade excessiva presente em sua família, esquecendo de ver que ele pode controlar isso em si, procurar sempre seguir seu próprio caminho, tendo sua própria identidade, confiar em si mesmo.

A leitura é lenta, revesando entre Peter, o menino, e a raposa Pax, e por meio deles discutindo esses e outros temas de forma discreta e suave. Pax me fez pensar e discutir diversas ideias minhas, algumas que trouxe para essa resenha, mesmo eu já sendo adulta. Pode ser um livro indicado para o mais jovens, porém é feita para todos os públicos.

 

Amor a todos ❤

Mago Aprendiz

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Informações gerais: escrito por Raymond E. Feist, livro um da Saga Mago, lido pela edição da Saída de Emergência (atualmente sendo englobada para a editora Arqueiro). Ficção – fantasia.

Sinopse do livro (retirada do skoob): “Na fronteira do Reino das Ilhas existe uma vila tranquila chamada Crydee. É lá que vive Pug, um órfão franzino que sonha ser um guerreiro destemido ao serviço do rei.
Mas a vida dá voltas e Pug acaba se tornando aprendiz do misterioso mago Kulgan.
Nesse dia, o destino de dois mundos altera-se para sempre.
Com sua coragem, Pug conquista um lugar na corte e no coração de uma princesa,
mas subitamente a paz do reino é desfeita por misteriosos inimigos que devastam cidade após cidade. Ele, então, é arrastado para o conflito e, sem saber, inicia uma odisseia pelo desconhecido: terá de dominar os poderes inimagináveis de uma nova e estranha forma de magia ou morrer.
Mago é uma aventura sem igual, uma viagem por reinos distantes e ilhas misteriosas, onde conhecemos culturas exóticas, aprendemos a amar e descobrimos o verdadeiro
valor da amizade. E, no fim, tudo será decidido na derradeira batalha entre as forças da Ordem e do Caos.”

Neste livro conta o início da aventura de Pug para se tornar um mago, mas também conta de forma geral a vida de outros personagens que vivem em Midkemia, como Kulgan, Tomas, a princesa Carline. Este livro parece ser uma grande introdução para os outros livros. Para mim, o livro demora para iniciar a aventura central, provavelmente, para dar tempo do escritor nos inserir neste mundo o qual vive Pug, nos fazer conhecer um pouco da cultura do ducado de Crydee e seus habitantes. Com o decorrer da aventura, Raymond E. Feist vai nos fazendo viajar junto com Pug, fazendo-nos viajar e conhecer mais de Midkemia junto com esse aprendiz de mago.

Considero Pug um personagem muito carismático, penso que passei a gostar dele desde a primeira página, ele possui uma esperança, um heroísmo e leveza contagiante, conquistando praticamente a todos a sua volta. Ele me fez compreender todas as suas ações, suas dificuldades e sonhos. Pode ser um mundo diferente do nosso, mas as emoções encontradas são bastante comum para nós e, acredito, que é assim que o autor nos chama para conhecer sua estória, mesmo demorando para começar a parte mais “animada” do livro. Não pense que o livro é um tédio no seu começo por isso, pois ele sempre tem alguma ação presente nele, mesmo eu não considerando algumas delas como as principais para a estória, e seu início é muito importante para entendermos o resto do livro.

O autor criou um mundo mágico e muito bem construído, tornando para esse ser um livro muito agradável de ler. O Mago Aprendiz tem diversas espécies e muitas culturas diferentes, as quais variam  da espécie e do local onde nos encontramos do  Reino e do mundo de Midkemia. O autor também se preocupou em criar um o passado deste mundo, seus antecedentes, citando acontecimentos e seres muito anteriores ao tempo de Pug, trazendo uma grande coerência para certas descobertas e ações do Reino em si. Ele se esforça para nos fazer compreender o “seu” mundo, para nos integramos a ele e participar da leitura da melhor forma possível, e, para mim, isso funcionou de forma maravilhosa, me tirando do meu cotidiano e me levando a um lugar mágico e original.

A leitura pode ter sido lenta para mim no início, porém sempre foi leve, me levava sempre a entrar em Midkemia e me perder nas aventuras descritas. O autor me trouxe a magia a qual eu esperava, não me decepcionando, porém me deixando sedenta para ler o livro dois dessa saga.

 

Amor a todos ❤

O planeta dos macacos

Informações gerais: escrito por Pierre Boulle, lançado pela editora Aleph. Ficção – ficção científica.

Sinopse do livro (retirada da parte de trás do livro): “Em um futuro não muito distante, três astronautas pousam em um planeta bem parecido com a Terra, repleto de florestas luxuriantes e com clima ameno e ar perfeitamente respirável. Mas esse lugar – um pretenso paraíso – não é o que parece. Em pouco tempo, os desbravadores do espaço descobrem a terrível verdade:nesse mundo, seus pares humanos não passam de bestas selvagens a serviço da espécie dominante… os macacos.
Desde as primeiras páginas até o surpreendente final – ainda mais impactante que a famosa cena final do filme de 1968 -, O planeta dos macacos é um romance de tirar o fôlego, temperado com uma boa dose de sátira. Nele, Boulle revisita algumas questões mais antigas da humanidade: O que define o homem? O que nos diferencia dos animais? Quem são os verdadeiros inimigos da nossa espécie?
Publicado pela primeira vez em 1963, O planeta dos macacos, de Pierre Boulle, inspirou uma das mais bem-sucedidas franquias da história do cinema, tendo início no clássico de 1968, estrelado por Charlton Heston, passando por diversas sequências e chegando às adaptações cinematográficas mais recentes. Com milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo. O planeta dos macacos é um dos maiores clássicos da ficção científica, imprescindível aos fãs da cultura pop.”

Comicamente, ainda não assisti o primeiro filme do Planeta dos macacos, somente os dois últimos lançados, então, quando vi que a editora Aleph (uma das editoras mais queridinhas por mim ❤ ) tinha lançado ele, comprei assim que pude e terminei de lê-lo por agora. Achei interessante eu ler antes de eu assistir os filmes mais antigos, porque assim seria como lesse uma história quase desconhecida para mim, e valeu a pena esse plano. Os novos filmes tem semelhanças com o que o autor passa, mas não com a história por ele escrita. A história tem um final surpreendente, o qual, eu já soube antes de começar o livro, é diferente do final do filme. A leitura também é todo momento uma crítica e questionamento da humanidade e do desenvolvimento do ser humano.

O livro é dividido em três partes bem marcadas por “desenhos” abstratos, além de possuir no final entrevista com autor, um artigo e um posfácio maravilhosos! A capa para mim também é muito interessante, não possui orelhas e já nos apresenta um pouco do que encontraremos ao longo da leitura. Demorei umas 70 páginas para pegar o ritmo da leitura, pois achei o início muito parado, sem muita ação, porém foi um livro muito divertido para mim no final das contas. O início pode ser lento, mas é necessário para entendermos a história a fundo, os motivo dos personagens começarem suas aventuras e para nos deixar curiosos com várias questões as quais vão aparecendo no livro e não irei contar para não estragar a leitura de ninguém.

Adoro livros como esse, que o autor praticamente discuti conosco, distribuindo todas as suas ideias e questões, mesmo aquelas que possuem muito a influência da época a qual o livro foi escrita. A história é levemente machistas em alguns momentos, mas não de uma forma que estrague a leitura. Pierre Boulle me fez pensar muito sobre do até que ponto somos civilizados, até que ponto não somos selvagens e o quanto somos arrogantes de todo o modo possível. O livro me fez questionar muito sobre nossa rotina, nossa cultura e das ações das nossas ciências, ele me fez pensar em nossos preconceitos e nosso comportamento diário.  A maior parte do livro também é em primeira pessoa, logo podemos atribuir muitos julgamentos e preconceitos ao personagem em si, me fazendo mais ainda olhar para dentro de mim e tentando enxergar como agiria em várias situações…

Adorei o livro e agora me sinto pronta para assistir os filmes antigos! Acho uma leitura boa para todos, principalmente para aqueles que amam ficção científica e para aqueles que assistiram os filmes. Adorei o jeito do Pierre Boulle escrever.

 

Amor a todos ❤

Agência de investigações holísticas Dirk Gently

Informações gerais: escrito por Douglas Adams, lançado pela editora Arqueiro. Ficção – ficção científica.

Sinopse do livro (retirada do skoob):”A série O Mochileiro das Galáxias consagrou Douglas Adams por sua fina ironia e sua capacidade de elaborar histórias hilárias e inusitadas. Porém, essa não foi sua única obra-prima. Também na década de 1980, ele criou o personagem Dirk Gently, cujos elementos principais surgiram quando escrevia episódios para Doctor Who, outro ícone britânico da ficção científica.
Adams morreu em 2001, deixando dois volumes sobre as aventuras do detetive carismático e arrogante. Agora, finalmente, o primeiro livro é publicado no Brasil.
Richard MacDuff é um engenheiro de computação perfeitamente normal que sempre se comportou muito bem, obrigado, até o dia em que deixa uma mensagem equivocada na secretária eletrônica de sua namorada, Susan Way. Arrependido, toma a decisão mais natural possível: escalar o prédio dela e invadir seu apartamento para roubar a fita com a gravação.
Na vizinhança, Dirk Gently bisbilhota os arredores com seu binóculo quando presencia o ato tresloucado do antigo colega de faculdade e decide entrar em contato para lhe oferecer seus serviços investigativos. Depois de uma série de acontecimentos bizarros, o detetive percebe uma interconexão obscura entre a atitude estapafúrdia do amigo e o assassinato de Gordon Way – irmão de Susan e chefe de Richard, que passa a ser suspeito do crime.
De uma hora para outra, os dois vêem-se envolvidos num caso incrivelmente estranho, com elementos díspares e desconexos que, no final, conseguem se encaixar de forma perfeita e construir uma trama típica de Douglas Adams.”

Douglas Adams é uns de meus escritores favoritos, seu modo de contar suas histórias é bem original, trazendo muitas informações em uma única frase e, ao mesmo tempo, fazendo isto de forma leve. Essa é a primeira vez que leio esse livro e já sei que quando eu ler de novo será repleto de novas descobertas, de detalhes os quais não tinha encontrado na primeira leitura. Decidi ler esse livro antes de assistir a série recentemente adicionada ao Netflix, para me deliciar melhor com essa história de Douglas Adams,entretanto já conhecia o Sr. Gently, em um conto presente no livro Salmão da Dúvida de Douglas Adams (um livro também fantástico), um conto que já me deu uma ideia da personalidade maravilhosa desse detetive.

Vou parar agora de elogiar o Sr. Adams para contar um pouco desse livro. Como, provavelmente, já devem ter percebido, esse livro não me decepcionou nenhum pouco. No inicio fiquei meio confusa, algo comum nas leituras de Douglas Adams, de aonde o escritor queria me levar, o porquê ele estava contando alguns acontecimentos; porém no meio do livro todas as peças começam a se encaixar e descubro que até o menor dos acontecimentos  descrito no inicio do livro é de extrema importância. A partir desse momento já notei que, quando eu lesse o livro novamente, encontraria mil outras novidades e informações.

Para terem um pouco de noção de como os livros de Douglas Adams, sendo este nenhuma exceção, repleto de informações, dentro dele encontrei mais de uma explicação de física quântica, cálculos sobre ondas sonoras, e algumas aulas sobre o impossível e a probabilidade. Há também uns dados de ciências biológicas, noções antropológicas e, muito provável, muito mais dados de vários outros estudos os quais minha mente não conseguiu captar. Contudo, não desista do livro e nem se assuste com essas informações, o escritor não faz isso de modo pesado e se não entender não tem problema, continue lendo e você vai rir e se divertir. Não se apegue ao que você não entendeu e nem se angustie com isso, isso não vai estragar a essência do livro, e isso, na verdade, que faz o livro dele ser diferente a cada leitura.

Em resumo de tudo falado acima, amei o livro, amei os personagens, ri muito e a leitura foi incrível. Para quem nunca leu o livro de Douglas Adams, meu conselho é sempre o mesmo, leia, não se importe tanto em entender as informações dadas no livros, muitas delas serão somente explicadas no final do livro, ou nunca, e ,dependendo do livro, será explicado somente no último livro da série. Se divirta com as informações e histórias contadas sem tentar ver sentido nelas, só curta a leitura e relaxe.

 

Amor a todos ❤

Os filhos de Anansi

wp-1478642764038.jpgInformações gerais: escrito por Neil Gaiman, lançado pela editora Intrínseca. Ficção –literatura fantástica.

Sinopse do livro (retirada da parte de trás do livro): “Charlie Nancy tem uma vida pacata e um emprego entediante em Londres. A pedido da noiva, ele concorda em convidar o pai para seu casamento e fazer disso uma tentativa de reaproximação, já que há vinte anos os dois não se falam. Mas nada sai como o esperado, e agora Charlie será obrigado a mudar completamente de rumo. Sua vida vai ficar mais interessante… e bem mais perigosa.
Ao se embrenhar no território da mitologia africana, Neil Gaiman leva o leitor a mergulhar nessa história bem-humorada sobre relações familiares, profecias, divindades vingativas e aves bem malignas.”

As escritas do Neil Gaiman sempre são diferentes e fora do padrão em que estamos tão acostumados nas outras leituras. Para mim Neil Gaiman, assim como Douglas Adams, consegue colocar, na nossa rotina e no mundo em que vivemos, toda uma magia que normalmente não conseguimos enxergar sem a ajuda dele. Esse livro não é diferente…

Charlie até uma certa parte do livro tem uma vida normal, mesmo tendo várias frustrações e traumas, ele tem um trabalho, uma noiva e um apartamento, uma relação difícil com seu pai,uma preocupação de não ser demitido, e um medo de não fazer e não se encontrar em nenhuma situação constrangedora. Vendo a vida dele, ele parece estar infeliz, porém ele parece estar se sentindo numa situação razoavelmente satisfatória… bem, isto até a noiva decidir que ele deveria convidar o pai para seu casamento. Os acontecimentos não se tornam super empolgantes rapidamente, isso, na verdade, vai acontecendo de modo devagar, do qual mal conseguimos perceber, até o momento em que nos vermos roendo as unhas de ansiedade e Charlie está já emaranhado de situações surreais com as quais ele precisa lidar e resolver. Para mim, isso ocorre tão suavemente que começa parece plausível disso acontecer na minha vida também. O mundo se torna mais mágico, as coisas mais possíveis, e a leitura nos prende igual uma teia no qual não conseguimos mais sair.

O livro nos faz conhecer muito da mitologia africana, explicando de um modo muito leve e intricado na história. É muito interessante a perspectiva dessa cultura, dessa mitologia, sobre os deuses, o modo deles se relacionarem e as rixas entre eles. Conhecemos o motivo do livro se chamar Os filhos de Anansi. A história para mim é incrível e repleta de peculiaridades; ela tem um lado sombrio, tem um lado cômico, tem um lado crítico e um lado místico, e todos esses lados se encaixam perfeitamente durante todo o livro.

Como todos os livros que li até o momento de Neil Gaiman, esse livro me fez rir em vários momentos e, em outros, ficar angustiada e curiosa com o desenrolar da história. Eu devorei o livro! Amei ele do início ao fim! Neil Gaiman traz mais uma história fantástica e maravilhosa.

 

Amor a todos ❤