Kafka à beira-mar

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Informações gerais: escrito por Haruki Murakami, lançado pela editora Alfaguara. Ficção – romance japonês.

Sinopse (retirada da parte de trás do livro): “Kafka à beira-mar é um dos romances mais ambiciosos do escritor japonês Haruki Murakami. Centrado na jornada de dois personagens em busca de autoconhecimento, é um livro imaginativo, com referências que vão do mundo pop às tragédias gregas.
Kafka Tamura é um solitário menino de quinze anos que decide fugir da casa do pai para escapar de uma terrível profecia, além de tentar encontrar sua mãe e irmã, que partiram quando ele ainda era criança. Leva poucos pertences numa mochila e não sabe nem ao menos que rumo seguir.
Sua rota de fuga irá se cruzar, inevitavelmente,  com a de Satoru Nakata, um homem idoso que, após passar por um trauma inexplicável na infância, adquiriu estranhos poderes sobrenaturais. A odisseia desses personagens, tão misteriosa para eles quanto para nós, será pontilhada por provações e descobertas, numa das mais surpreendentes obras da literatura dos últimos anos.”

Ganhei este livro de presente do meu irmão e, um pouco depois, vi uma postagem no facebook colocando este livro num dos mais complicados de se ler de Haruki Murakami, deixando como dica começar este escritor com algum livro de contos ou outros romances de sua autoria. Contudo, mesmo morrendo de medo de se tornar uma leitura exaustiva para mim, já que seria minha primeira leitura de Murakami, decidi ao menos tentar ler este livro e, qualquer coisa, o largava e começava pelas obras consideradas mais leves. No fim consegui terminar esse livro com louvor, tendo certeza de que não entendi tudo o qual Haruki Murakami estava expressando neste romance, mas sendo uma leitura gostosa e repleta de surpresas.

O livro começa com Kafka Tamura conversando sobre o menino Corvo sobre sua fuga da casa do pai e as preparações planejadas a realização deste acontecimento. E já nesta conversa levei uma lição de moral. Neste primeiro diálogo o menino Corvo fala da necessidade de sermos corajosos para enfrentarmos a tempestade de areia que é ir em busca de nosso autoconhecimento, pois o ato de fugir não levará a nada se não irmos atrás de nossa essência e ganharmos consciência de nossas atitudes. Se não soubermos quem somos, não temos como seguir o destino o qual nos mais atraí. Ou seja, esse trecho já afastou um pouco o meu medo de eu não gostar do livro e me trouxe uma maior vontade de me aprofundar ainda mais nesta leitura.

O livro é dividido com o ponto de vista de Kafka e com a história peculiar de um idoso chamado Satoru Nakata. Na introdução deste segundo personagem é diferente por começamos a conhecê-lo pelos fatos históricos nos quais ele foi altamente afetado.  Nakata, por ter sido vítima de um acidente altamente misterioso, tem sua vida totalmente transformada, o deixando analfabeto e com dons muito diferentes. Esse senhor, de uma outra forma, também está em busca de se conhecer e ganhar maior capacidade de lidar com o mundo a sua volta.

Enquanto ambas histórias vão sendo contadas, o livro vai sendo marcado de diversas referências a cultura POP, mitologia grega, pela cultura japonesa e muitas outras; me fazendo ter certeza de que nem de longe consegui captar todas colocadas pelo escritor. Isso não foi ruim para a leitura, deixou-a até mais interessante, porém, por ter muitos fundamentos, ao menos, da mitologia grega, há trechos no livro com imagens fortes e perturbadoras. Elas também me pareceram ter sido postas deste jeito intencionalmente por Murakami, logo fazendo parte da experiência literária proposta por ele. Todavia, garanto não ser nada tão traumatizante, mesmo me dando aquele susto e incômodo ao mesmo tempo, me deixando totalmente confusa por alguns segundos.

Kafka à beira-mar é repleto de simbolismo, conseguindo discutir diversos temas importantes como: a responsabilidade de nossos atos, a guerra, assassinatos e, até mesmo, abordando muitas vezes a espiritualidade. Murakami mais de uma vez reforça a necessidade de se autoconhecer, de possuir imaginação e se realizar com aquilo que lhe preenche a alma. Devo confessar que amei essas partes do livro as quais discutem esses assuntos, me fazendo filosofar junto com o escritor e seus personagens sobre os meus atos e acontecimentos históricos marcantes a nossa sociedade.

É um livro denso, porém com uma leitura gostosa e que ao relê-lo sempre encontramos novas informações e, provavelmente, uma nova interpretação ao livro. Esta é minha primeira vez em que me encontro com uma obra de Haruki Murakami e foi minha reação sobre este livro, mas sei que muitos podem ter tido outras interpretações diferentes das minha, então, se já leu este livro e o viu de uma forma diferente comente aqui! Adorei ter lido esse livro e conhecido um pouco de Haruki Murakami…. quem sabe depois não leio outras obras dele?

 

Amor a todos ❤

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O som do amor

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Informações gerais: escrito por Jojo Moyes, lançado pela editora Intrínseca. Ficção – literatura estrangeira.

Sinopse (retirada do Skoob): “Matt e Laura McCarthy são obcecados pela ideia de herdar a Casa Espanhola — uma construção malcuidada e quase em ruínas no condado de Norfolk, interior da Inglaterra, que tem um valor simbólico para os moradores locais. Para atingir esse objetivo, Laura, a mando do marido, faz todas as vontades do velho Sr. Pottisworth, o proprietário. Entretanto, como o homem nunca deixou nada por escrito, quem acaba por herdar a casa é uma parente distante, Isabel Delancey.
Primeiro violino na Orquestra Sinfônica Municipal, em Londres, Isabel tinha uma vida tranquila com seus dois filhos e o marido, mas tudo virou de cabeça para baixo quando ele morreu em um acidente de carro e deixou uma grande dívida. Sua única oportunidade de recomeço é fincar moradia na Casa Espanhola — algo que o casal McCarthy vai tentar impedir a qualquer custo.
O som do amor é um romance sobre obsessão, manipulação, segredos e paixões. Por meio de personagens carismáticos e capazes de tudo para realizar seus objetivos, Jojo Moyes mantém seu estilo inconfundível em uma brilhante história de recomeços.”

Mais um livro de Jojo Moyes lido e, até o momento, nenhuma decepção. A estória conta, principalmente, a história de Isabel Delancey, que ao perder o marido, vê a sua vida virada ao avesso e a obrigando a tomar a decisão de se mudar com seus dois filhos de cidade (de Londres para Norfolk) e ir para uma casa a qual mal conhece. Contudo, Jojo Moyes se volta para o ponto de vista de vários personagens, dando uma maior amplitude da situação que a família Delancey acabou se encontrando a ir morar na Casa Espanhola. A casa está caindo aos pedaços e, para piorar, ela é objeto de desejo e obsessão de Matt e Laura McCarthy, que estão dispostos a fazer tudo para cumprir seus objetivos.

Ao iniciar o livro, já fiquei angustiada tanto com a condição de Isabel quanto de Laura, uma por seu luto e não ter a experiência de administrar a casa; e outra por ter de ficar numa posição submissa a Sr. Pottisworth e ao seu marido, mesmo sendo vista por muitos como uma mulher impecável. As duas estão sofrendo com a dificuldade de seguirem os seus sonhos, e, a partir disso, a escritora mostra o como é mais difícil de uma mulher seguir seus desejos sem serem julgadas comparados com a de um homem. Isabel chega a ser julgada por sua própria filha por sua paixão pela música, e Laura fica sendo mal vista ou vista com pena, mais pelas atitudes de seu marido, do que pelas suas próprias ações. Isso não fazem serem perfeitas, ou 100% inocentes, mas serem uma demostração da grande diferença entre ser homem e ser mulher na nossa sociedade.

Apesar das duas estarem sofrendo, vi muita falta de empatia das mulheres umas com as outras, até mesmo as amigas de Laura, que chegam a julgar umas as outras, até mesmo a “incapacidade” de uma destas amigas manter seu marido fiel. Nesta cidadezinha tem bem essa situação de todos saberem da vida de todo mundo o qual vivem lá, sendo um ninho para fofocas e críticas da vida de cada um, piorando muito essa condição de falta de empatia feminina.

As personagens femininas também nos dá a lição de como tem uma exigências sobre elas serem perfeitas e saberem tudo quanto necessário, entre cuidar da aparência da casa, das contas,  como a cuidar dos seus filhos,estando eles sempre em primeiro plano na vida da mãe (diferente do pai). Laura já está habituada com essa responsabilidade, mas Isabel, por poder seguir por um tempo sua maior atenção a sua carreira, tendo o pai e a babá ajudando a criar os filhos quando ela não podia por culpa de seu trabalho, não estava habituada com o lugar visto de maternidade imposta pela nossa cultura. Para piorar, o marido de Isabel, Laurent, também cuidava de todas as finanças, a deixando inexperiente a lidar com isto, deixando mais complicado para ela enfrentar todas as mudanças pela morte de Laurent, somando ainda por ainda sofrer com seu luto. Isabel começa, tudo de uma vez, a ser obrigada a lidar com os julgamentos por não saber muito das coisas vistas como obrigatórias na maternidade e as consequências por ter se mantido alienada das contas, das despesas e da administração da casa  (sendo necessário muitas vezes da ajuda de sua filha).

Laura, enquanto isso, precisa muitas vezes se sacrificar para manter seu marido satisfeito e deixá-lo seguir com sua obsessão. Matt me deixa desconfortável por me fazer ser muitas vezes cúmplice de seu mau caratismo em suas ações, vendo todos mais como objetos do que como seres humanos. Ele reclama de Sr. Pottisworthm mas, para mim, tem muitos traços parecidos com o do senhor. Matt e Byron nos mostra o quanto o passado pode nos marcar pelo resto de nossas vidas e nas nossas ações, sendo necessário muitas escolher de qual forma você vai agir para conseguir enfrentá-lo.

Por fim, Jojo Moyes no joga na cara o que realmente importa e qual é o o preço quando se mantemos obcecados por tanto tempo com algo. Como uma obsessão por algo pode afetar as nossas relações e de como podemos sofrer ao continuar a alimentá-la. É um livro maravilhoso, mas assustador ao encarrarmos os pontos de vista de vários personagens e ao ver como uma idealização pode nos deixar cegos e nos fazer mudar nossa atitude. Ela me deixou questionando em vários de meus comportamentos e julgamentos, além de me emocionar muito em várias partes. Continuo ansiosa para continuar lendo os livros dela e achando a escrita dela espetacular.

 

Amor a todos ❤

Lordes dos Sith

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Informações gerais: escrito por Paul S. Kemp, faz parte do novo cânone de Star Wars, lançado pela editora Aleph. Ficção – fantasia espacial.

Sinopse (retirada da parte de trás do livro): “Anakin Skywalker, o cavaleiro Jedi, é só uma distante lembrança. Darth Vader, recém nomeado lorde Sith, está em ascensão. O aprendiz escolhido pelo Imperador provou rapidamente seu compromisso com o lado sombrio , e está preparado para uma importante missão no planeta Ryloth, para controlar uma ousada insurreição que pretende assassinar o imperador e seu braço direito. Porém,  a história da ordem Sith envolve traição e pupilos violentamente tomando o lugar de seus mestres, e Vader ainda não provou sua verdadeira lealdade – pelo menos até agora.”

O livro já começa pelo ponto de vista de Vader, com ele, ao ir colocando sua armadura, lembrando levemente de como ficou daquela forma, e, automaticamente de Obi-Wan e Yoda. Contudo, logo esses pensamentos são interrompidos para descobrir que o grupo “terrorista” de Ryloth atacou novamente e que agora o imperador planeja de ir junto com Vader para encontrar os rebeldes e seus espiões, destruindo de vez esse movimento.

O comandante desse grupo é um Twi’lek chamado Cham Syndulla, um idealista libertário, que, junto com Isval (uma ex-escrava Twi’lek) e com outros moradores de Ryloth, lutam por seu planeta ficar livre do domínio do Império. Nessa obra, então, descobri que não tem somente o ponto de vista de Vader, mas vemos também todo o trabalho de Syndulla e Isval para retirarem e acabarem com o domínio do imperador neste planeta, além do ponto de vistas de outros personagens muito importantes para a qualidade maravilhosa dessa leitura.

Uma das partes mais legais do livro para mim, foi que finalmente pude ver como Darth Vader pensa, pelo menos, no início do Império, e como ele lida com as memórias de seu passado como Anakin. Achei ele mais calmo do que nos episódios IV, V e VI, porém, já começamos a entender como ele foi se transformando cada vez mais no lorde sombrio, a quem tão bem conhecemos, de como ele foi se envolvendo cada vez mais com Darth Sidious e entrando cada vez mais no lado sombrio da Força. A relação dele e com Sidious também é mais desenvolvida, explicando melhor essa interação de mestre e aprendiz na ordem Sith, mostrando o modo que Vader reage ao imperador e como o imperador demostra maior poder com a Força para manter seu domínio sobre seu aprendiz.

Cham Syndulla e Isval também são personagens maravilhosos nesta estória. Cham tem a preocupação permanente de como atingir o Império o máximo que puder, com o menor número de mortes e com o uso mínimo de recursos possíveis.  Ele precisa, por ser comandante e principal responsável pelo movimento de Ryloth livre, ser eternamente cuidadoso em suas ações e sempre pensar na preservação dessa rebelião. Já Isval tem uma personalidade bem diferente, é uma guerreira sempre procurando se vingar do Império e libertar os escravos Twi’leks o máximo que puder, sem se importa nas consequências disto para si mesma. Ela não reflete sobre como apagar seus rastros ou em rotas de fugas, o importante é liberar sua raiva e revolta em todos os seguidores de Palpatine. A relação destes dois é, por isso mesmo, complementar, com um ajudando o outro a cumprir seus objetivos.

O livro teve uma leitura rápida e gostosa, com o meu único problema sendo eu não poder ter aproveitado tanto quanto poderia se eu tivesse assistido a série Star Wars Rebels; pois, aparentemente, há um personagem o qual realiza uma grande ligação deste livro com este seriado. Entretanto, isso não estragou a minha leitura, o livro continuou sendo empolgante, cheio de cenas de ações e de luta. Foi também uma ótima oportunidade de conhecer melhor a cultura dos Twi’leks e como é o planeta Ryloth. É uma excelente estória para todos os apaixonados por Star Wars e recomendo de bom grado.

 

Amor a todos ❤

O guerreiro pagão

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Informações gerais: escrito por Bernard Cornwell, livro sete das Crônicas saxônicas, lançado pela editora Record. Ficção – ficção histórica.

Sinopse (retirada do Skoob): “Após um incidente envolvendo um abade, Uhtred, um dos últimos senhores pagãos entre os saxões, se vê atacado pela Igreja e por seus seguidores. Sem suas terras e com poucos homens, tudo que lhe resta é colocar um ousado plano em prática: recuperar Bebbanburg, a fortaleza onde cresceu e que foi tomada por seu tio. Porém, o que Uhtred não sabe é que sua missão pessoal vai colocá-lo num ardil capaz de reacender o confronto entre saxões e dinamarqueses, que pode selar de uma vez por toda o destino da Britânia e de sua rivalidade com Cnut.”

Antes de começar de fato essa resenha, peço desculpa por esse blog começar pelo livro sete das Crônicas saxônicas,  já que os seis outros primeiros eu li antes de criar esse blog. Agora, com o pedido de desculpas já feito, sinto-me livre para retornar a minha programação normal.

O guerreiro pagão começa sua estória com Uhtred precisando sobreviver em um momento uma paz longa entre os saxões e dinamarqueses. Isto o obriga a ter de gerenciar o trabalho de cuidar de suas terras, da colheita e das famílias dos seus homens. Além dele não gostar nenhum pouco da ausência da guerra e dessa ociosidade, as quais atrapalham muito o seu sonho de conquistar Bebbanburg, Uhtred acaba matando um abade, fazendo que quase todos os saxões se virem contra ele e praticamente o expulsem da Mércia. A partir deste momento o livro começa a contar mais uma parte da história sobre a criação da Inglaterra e da empolgante estória de nosso guerreiro pagão favorito, Uhtred.

No início do livro fiquei um pouco confusa por alguns motivos. O primeiro foi positivo, foi por uma expectativa de quando a estória de Uhtred iria inevitavelmente se  unir novamente com os sonhos do falecido rei Alfredo de juntar todas as tribos saxãs e criar um único país. Como  Uhtred foi rechaçado pelos saxões, ele precisa se afastar da Mércia e cria a louca ideia de reconquistar Bebbanburg com pouquíssimos recursos e homens, fazendo-o se afastar por um período dos reis de Mércia e Wessex, de sua amada Æthelflæd e, consequentemente, da parte histórica do livro.

O outro foi por minha culpa, por eu ter demorado muito para comprar a continuação do Morte dos reis (o livro seis dessa saga), tive certas dificuldades lembrar de certos personagens e dos acontecimentos ocorridos nos livros anteriores. Isso não atrapalhou no ritmo da leitura ou no entendimento geral da estória, pois, quando era um fato muito importante, o autor dava uma leve relembrada por meio das memórias de seu personagem. Contudo, eu ainda desejava e lutava para lembrar dos detalhes desses acontecimentos, às vezes, não conseguindo e ficando muitas vezes meio frustrada.

O guerreiro pagão, mesmo com essas minhas dificuldades, foi para mim uma leitura maravilhosa. Bernard Cornwell continua abordando de forma leve sobre as religiões da época, principalmente a católica, me lembrando muitas questões atuais. Ele mostra o grande poder da Igreja com o reinado, influenciando tanto os regentes como a população. Demostra também a importância das profecias e preságios pode ter para nós, possibilitando muitas interpretações, e podendo nos dar a confiança necessária para realizar algumas ações e decisões. Além disso, o escritor continua descrevendo de forma maravilhosa como era os combates e batalhas do século IX e X, as diferentes estratégias e as emoções presentes nas pessoas tanto antes da luta quanto no durante e depois. Muitas vezes, dependendo do modo como é descrito essas partes, elas me deixam entediada ou com uma leitura cansativa, mas Cornwell consegue deixar seu livro interessante e empolgante até o final da leitura.

A minha personagem favorita neste livro foi Æthelflæd, ela é uma personagem feminino repleta de força, coragem, teimosia e inteligência. Ela me diverte bastante em vários momentos os quais xinga alguém de idiota, mostrando ao mesmo tempo o amor que tem por Uhtred e o seu povo saxão. Æthelflæd possui uma grande fé e confiança em seu povo e em seu amante, não deixando espaço para eles terem medo ou dúvida sobre a luta contra os dinamarqueses.

Este livro foi espetacular! Mesmo não conseguindo lembrar muito dos livros anteriores, sei que nenhum deles até o momento tinha me feito chorar. Entretanto, este, principalmente em seu final, me emocionou tanto que não pude conter algumas lágrimas. É uma honra para mim poder seguir essa grande saga de Uhtred em suas lutas, suas amizade e seu amor por sua terra, Bebbanburg, e por sua família. Não tenho nenhuma crítica a esse livro ou a essas maravilhosas crônicas saxônicas. Estou ansiosa para ler os próximos livros.

 

Amor a todos ❤

Kindred: Laços de sangue

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Informações gerais: escrito por Octavia E. Butler, lançado pela editora Morro Branco. Ficção – ficção histórica.

Sinopse (retirada do Skoob): “Em seu vigésimo sexto aniversário, Dana e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo se despedaça.
Dana repentinamente se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida… até acontecer de novo. E de novo.
Quanto mais tempo passa no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil – um lugar perigoso para uma mulher negra –, mais consciente Dana fica de que sua vida pode acabar antes mesmo de ter começado.”

Kindred – Laços de sangue é uma história de uma mulher chamada Dana que, sem nenhuma intenção, vai para o sul dos Estados Unidos antes da Guerra Cívil, salvando uma criança ruiva de se afogar. Contudo, Dana é negra numa terra escravista e logo é ameaçada pelo pai da criança com uma espingarda, voltando ao seu tempo atual. A partir desse momento ela retorna para esse século e esse local várias vezes, enfrentando muitos sofrimentos e dificuldades inimagináveis.

Esse livro foi uma indicação de uma amiga minha e ela nem precisou me convencer a ler essa história, já que sou assumidamente apaixonada por viagem no tempo, não importando o como, nem quando. Esse tipo de viagem é sempre muito interessante por retratar, por via do personagem viajante, as grandes diferenças das datas, das culturas e do pensamento de ambos os locais e momentos. Esse meio é um excelente modo de nos demostrar como sempre somos, de alguma forma, sempre influenciados pela época em que vivemos, fazendo nós considerarmos como normais muitos comportamentos os quais nem sempre, de fato, são justos e, até mesmo, humanizado. Nós nos adaptamos com a cultura a qual vivemos.

Esse é o caso da escravidão. Como a escritora mostra tão bem, a escravidão era algo natural, viam os escravos como burros e como somente um objeto e instrumento para ganhar lucro. Não eram vistos como humanos, em certos momentos, nem como animais, eram pessoas para qual se podia manipular para não fugirem e se podia usá-las do melhor modo para seu proprietário. A pessoa escrava enquanto isso é separada de seus filhos, maltratada física e emocionalmente, morta e vendida; ela vai sendo morta aos poucos, perdendo sua vontade e sua personalidade. E se você era uma pessoa negra livre, nada te garantia de continuar assim, a justiça era bem distinta das pessoas brancas para as negras, pois se você era negro e não conseguisse provar por documentos a sua liberdade, automaticamente você viraria escravo de alguém.

É nessa parte que Dana, em um piscar de olhos, de uma moça livre se torna escrava; pois por ter sido teletransportada para outra época, obviamente, não possuía nem documento de aforia, ou de liberdade. Ela então precisa mudar drasticamente seu comportamento para permanecer viva, tornando submissa a todos os brancos e tendo sempre medo do que seus atos podem causar a si e aos outros. Dana, antes uma escritora, no século XIX é vista com desconfiança por saber escrever e ter uma fala diferente dos outros. Era visto como perigoso um escravo saber ler e escrever, e nem a maioria das mulheres brancas eram alfabetizadas nesse tempo. Dana já está em perigo naquela época só por sua educação, precisando ter mais cuidado ainda com suas ações.

Octavia E. Butler faz mais do que nos ensinar um pouco sobre a escravidão e a história dos Estados Unidos, ela me fez questionar o quanto ainda somos guiados por esses antigos mal costumes, o quanto somos influenciados por nossa cultura e o quanto dela ainda é injusta e prejudicial para várias pessoas. A nossa cultura ainda  é racista, preconceituosa, e com comportamentos antiguados vindos de séculos passados, provavelmente, muitos os quais não enxergamos por estar inseridos nela. Não sei se nossos desafios atuaia são tão difíceis quanto os desafios passados, mas ainda temos muito a evoluir como sociedade.

Essa leitura foi muito rápida e gostosa, além de trazer muitos questionamentos sobre o século XIX e sobre os tempos atuais, e a estória ser emocionante e muito bem escrita.  Tentei trazer aqui o máximo de questionamentos feitos por mim ao ler essa obra. Esse livro virou um dos meus favoritos.  por sua leveza e complexidade.

Amor a todos ❤

Os Legados de Lorien

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Informações gerais: escrito por Pittacus Lore, lido por mim todos os livros físicos da saga Os Legados de Lorien (Eu sou o número quatro, O poder dos seis, A ascensão dos noveA queda do cincoA vingança dos seteO destino da número dez e, por fim, Unidos somos um), lançados pela editora Intrínseca. Ficção infantojuvenil – fantasia.

Sinopse do primeiro livro, Eu sou o número quatro (retirada do Skoob): “Nove de nós vieram para cá. Somos parecidos com vocês. Falamos como vocês. Vivemos entre vocês. Mas não somos vocês. Temos poderes que vocês apenas sonham ter. Somos mais fortes e mais rápidos que qualquer coisa que já viram. Somos os super-heróis que vocês idolatram nos filmes e nos quadrinhos mas somos reais.
Nosso plano era crescer, treinar, ser mais poderosos e nos tornar apenas um, e então combatê-los. Mas eles nos encontraram antes. E começaram a nos caçar. Agora, todos nós estamos fugindo.
O Número Um foi capturado na Malásia.
O Número Dois, na Inglaterra.
E o Número Três, no Quênia.
Eu sou o Número Quatro.
Eu sou o próximo.”

Finalmente hoje terminei essa saga a qual tanto amo (sendo uma das minhas favoritas) e decidi, ao invés de só comentar sobre último livro, falar da saga em si (não se preocupe, não terá spoilers). Gosto muito dessa saga deste que assisti ao filme… sei que ele não é uma super obra artística e nem muito fiel ao livro, porém agradeço por o terem feito, pois foi assim que tive vontade de ler o Eu sou o número quatro.

O primeiro livro é narrado só por um personagem, o qual possui poderes (legados), e em primeira pessoa, mostrando como a vida dele está a partir da morte do número Três. Agora Quatro e seu Cêpan (lorieno, sem legados, responsável treinar e cuidar do número Quatro) precisam tomar mais cuidado ainda de não serem pegos, porque Quatro agora pode ser o próximo a ser perseguido e morto.

Este primeiro livro já mostra um pouco de como será a escrita dessa saga: sempre em primeira pessoa, com uma linguagem fácil, rápida e muito gostosa de se ler, com partes cômicas e outras de plena ação. O que muda, contudo, nos próximos livros, é que outros personagens também ganham a possibilidade de ter capítulos narrados em primeira pessoa, dando uma maior profundidade a estória e nos fazendo ter um maior conhecimento maior sobre o universo onde se passa a saga.

Os personagens são muito bem construídos, com todos tendo sua própria história e personalidade única e todos com poderes de me irritar em certas partes. Uns eu passei a amar, outros eu era indiferente e alguns eu passei a ter uma raiva permanente por seus comportamentos estúpidos.  O escritor, que na verdade são dois escritores, conta uma estória original a qual nos dá a oportunidade de ter medo da morte de seus personagens e se sentir uma grande empatia por muitos deles.

A escrita e a estória nunca escorregam em sua qualidade, sendo todos os livros muito bons e emocionantes. A saga se mantém, pelo menos por parte dos livros físicos, fiel aos personagens criados e aos fatos narrados, sendo maravilhosa do início ao fim e não me decepcionando de nenhuma forma. Apesar dela não ser uma leitura super conceituada e culta, é uma série para relaxar e se divertir.

Indico Os legados de Lorien não só ao público infanto juvenil, mas a todos os quais gostariam de ler um livro repleto de aventura e relaxante ao mesmo tempo. É uma série feita para todas as idades. Infelizmente ainda não li os livros extras lançados em e-book, mas vou tentar ler o mais rápido possível e fazer a resenha deles aqui também.

 

Amor a todos ❤

Xeque-mate da rainha

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Informações gerais: escrito por Elizabeth Fremantle, livro um da saga Tudors, lançado pela editora Paralela. Ficção – ficção histórica.

Sinopse (retirada da parte de trás do livro): “Divorciada, guilhotinada, morta, divorciada, guilhotinada. Esse é o histórico do meu noivo.
Katherine Parr, sexta esposa de Henrique VIII, trilha um caminho perigoso entre a paixão e lealdade. Muito mais nova que o marido, ela precisa aprender rapidamente a lidar com os perigos da corte Tudor, especialmente no que diz respeito a sua fé  e ao seu verdadeiro amor.”

Antes de tudo digo que, apesar de ser o primeiro livro de uma série em lançamento, o livro tem um final completo e satisfatório. Digo isso, porque peguei esse livro achando que seria um só volume e, quando vi o segundo volume ser lançado, comecei a ficar angustiada, pensando que terminaria o livro e teria de esperar a sua finalização nos volumes seguintes. Foi um preocupação, no final, infundada, o segundo volume continua o foco na família Tudors, porém com outras histórias a serem contadas.

Esse livro me conquistou desde seu inicio por ser uma ficção histórica, uns de meus gêneros favoritos, e com a personagem principal do sexo feminino. A começar o livro, este melhora mais ainda, por ter personagens femininas fortes e repletas de personalidades, mesmo com os homens da época tentando apagar essa força a qualquer custo.

Penso por que os homens de antigamente, e até mesmo em nosso século,  se sentem tão ameaçados e intimidados quando encontram uma mulher com grande inteligência, forte e segura em suas opiniões? Não poderiam aproveitar para colaborarem um com o outro e crescerem juntos em suas ideias e movimentos? Entretanto, movem para impedir essa igualdade, o sexo masculino parece precisar se sentir sempre superior, e, para isso, não oferece as mesmas oportunidades para as mulheres e tenta inferioriza-las até estas murcharem ou quebrarem. É isso que este livro deixou mais evidente para mim: a parte de não instruírem as mulheres do mesmo modo, deixando certas características como sendo masculina assim como liderar, governar, discursar e estudar certas áreas. Desvalorizando o máximo aquelas nascidas com os mesmos dons considerados masculinos e quanto isso implicitamente não influencia a nossa sociedade até hoje.

A fé é também muito discutida, já que estamos no período da reforma e contra-reforma, uma luta entre a Igreja e os protestantes. Henrique VIII representa a Inglaterra do momento, sendo alguns momentos a favor do movimento e, outros, seguindo firmemente com os dogmas da Igreja católica. O rei até mesmo possui em seu conselho tanto católicos quanto reformadores, revezando o lado de sua preferência e marcando o seu reinado com decisões bastantes volúveis e com o povo da Inglaterra sendo envolvido por conflitos e incertezas. Nem mesmo a rainha é uma constante para os ingleses.

Essa leitura me fez pensar muito, tanto sobre a rivalidade e luta pelo poder, como sobre as grandes consequências do abuso e do estupro podem ter em uma pessoa. Contudo, decidi parar aqui minha resenha com medo de passar spoilers ao entrar em certos temas. Xeque-mate da rainha trouxe grandes questionamentos sobre o modo de vida a qual decidimos seguir e o quanto ainda precisamos melhorar como seres humanos. É um livro maravilhoso e vale a pena ser lido com carinho, mesmo se você discordar de minhas ideias aqui ditas. Leiam e tenham sua própria visão sobre esta história.

 

Amor a todos ❤