O guerreiro pagão

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Informações gerais: escrito por Bernard Cornwell, livro sete das Crônicas saxônicas, lançado pela editora Record. Ficção – ficção histórica.

Sinopse (retirada do Skoob): “Após um incidente envolvendo um abade, Uhtred, um dos últimos senhores pagãos entre os saxões, se vê atacado pela Igreja e por seus seguidores. Sem suas terras e com poucos homens, tudo que lhe resta é colocar um ousado plano em prática: recuperar Bebbanburg, a fortaleza onde cresceu e que foi tomada por seu tio. Porém, o que Uhtred não sabe é que sua missão pessoal vai colocá-lo num ardil capaz de reacender o confronto entre saxões e dinamarqueses, que pode selar de uma vez por toda o destino da Britânia e de sua rivalidade com Cnut.”

Antes de começar de fato essa resenha, peço desculpa por esse blog começar pelo livro sete das Crônicas saxônicas,  já que os seis outros primeiros eu li antes de criar esse blog. Agora, com o pedido de desculpas já feito, sinto-me livre para retornar a minha programação normal.

O guerreiro pagão começa sua estória com Uhtred precisando sobreviver em um momento uma paz longa entre os saxões e dinamarqueses. Isto o obriga a ter de gerenciar o trabalho de cuidar de suas terras, da colheita e das famílias dos seus homens. Além dele não gostar nenhum pouco da ausência da guerra e dessa ociosidade, as quais atrapalham muito o seu sonho de conquistar Bebbanburg, Uhtred acaba matando um abade, fazendo que quase todos os saxões se virem contra ele e praticamente o expulsem da Mércia. A partir deste momento o livro começa a contar mais uma parte da história sobre a criação da Inglaterra e da empolgante estória de nosso guerreiro pagão favorito, Uhtred.

No início do livro fiquei um pouco confusa por alguns motivos. O primeiro foi positivo, foi por uma expectativa de quando a estória de Uhtred iria inevitavelmente se  unir novamente com os sonhos do falecido rei Alfredo de juntar todas as tribos saxãs e criar um único país. Como  Uhtred foi rechaçado pelos saxões, ele precisa se afastar da Mércia e cria a louca ideia de reconquistar Bebbanburg com pouquíssimos recursos e homens, fazendo-o se afastar por um período dos reis de Mércia e Wessex, de sua amada Æthelflæd e, consequentemente, da parte histórica do livro.

O outro foi por minha culpa, por eu ter demorado muito para comprar a continuação do Morte dos reis (o livro seis dessa saga), tive certas dificuldades lembrar de certos personagens e dos acontecimentos ocorridos nos livros anteriores. Isso não atrapalhou no ritmo da leitura ou no entendimento geral da estória, pois, quando era um fato muito importante, o autor dava uma leve relembrada por meio das memórias de seu personagem. Contudo, eu ainda desejava e lutava para lembrar dos detalhes desses acontecimentos, às vezes, não conseguindo e ficando muitas vezes meio frustrada.

O guerreiro pagão, mesmo com essas minhas dificuldades, foi para mim uma leitura maravilhosa. Bernard Cornwell continua abordando de forma leve sobre as religiões da época, principalmente a católica, me lembrando muitas questões atuais. Ele mostra o grande poder da Igreja com o reinado, influenciando tanto os regentes como a população. Demostra também a importância das profecias e preságios pode ter para nós, possibilitando muitas interpretações, e podendo nos dar a confiança necessária para realizar algumas ações e decisões. Além disso, o escritor continua descrevendo de forma maravilhosa como era os combates e batalhas do século IX e X, as diferentes estratégias e as emoções presentes nas pessoas tanto antes da luta quanto no durante e depois. Muitas vezes, dependendo do modo como é descrito essas partes, elas me deixam entediada ou com uma leitura cansativa, mas Cornwell consegue deixar seu livro interessante e empolgante até o final da leitura.

A minha personagem favorita neste livro foi Æthelflæd, ela é uma personagem feminino repleta de força, coragem, teimosia e inteligência. Ela me diverte bastante em vários momentos os quais xinga alguém de idiota, mostrando ao mesmo tempo o amor que tem por Uhtred e o seu povo saxão. Æthelflæd possui uma grande fé e confiança em seu povo e em seu amante, não deixando espaço para eles terem medo ou dúvida sobre a luta contra os dinamarqueses.

Este livro foi espetacular! Mesmo não conseguindo lembrar muito dos livros anteriores, sei que nenhum deles até o momento tinha me feito chorar. Entretanto, este, principalmente em seu final, me emocionou tanto que não pude conter algumas lágrimas. É uma honra para mim poder seguir essa grande saga de Uhtred em suas lutas, suas amizade e seu amor por sua terra, Bebbanburg, e por sua família. Não tenho nenhuma crítica a esse livro ou a essas maravilhosas crônicas saxônicas. Estou ansiosa para ler os próximos livros.

 

Amor a todos ❤

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Kindred: Laços de sangue

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Informações gerais: escrito por Octavia E. Butler, lançado pela editora Morro Branco. Ficção – ficção histórica.

Sinopse (retirada do Skoob): “Em seu vigésimo sexto aniversário, Dana e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo se despedaça.
Dana repentinamente se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida… até acontecer de novo. E de novo.
Quanto mais tempo passa no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil – um lugar perigoso para uma mulher negra –, mais consciente Dana fica de que sua vida pode acabar antes mesmo de ter começado.”

Kindred – Laços de sangue é uma história de uma mulher chamada Dana que, sem nenhuma intenção, vai para o sul dos Estados Unidos antes da Guerra Cívil, salvando uma criança ruiva de se afogar. Contudo, Dana é negra numa terra escravista e logo é ameaçada pelo pai da criança com uma espingarda, voltando ao seu tempo atual. A partir desse momento ela retorna para esse século e esse local várias vezes, enfrentando muitos sofrimentos e dificuldades inimagináveis.

Esse livro foi uma indicação de uma amiga minha e ela nem precisou me convencer a ler essa história, já que sou assumidamente apaixonada por viagem no tempo, não importando o como, nem quando. Esse tipo de viagem é sempre muito interessante por retratar, por via do personagem viajante, as grandes diferenças das datas, das culturas e do pensamento de ambos os locais e momentos. Esse meio é um excelente modo de nos demostrar como sempre somos, de alguma forma, sempre influenciados pela época em que vivemos, fazendo nós considerarmos como normais muitos comportamentos os quais nem sempre, de fato, são justos e, até mesmo, humanizado. Nós nos adaptamos com a cultura a qual vivemos.

Esse é o caso da escravidão. Como a escritora mostra tão bem, a escravidão era algo natural, viam os escravos como burros e como somente um objeto e instrumento para ganhar lucro. Não eram vistos como humanos, em certos momentos, nem como animais, eram pessoas para qual se podia manipular para não fugirem e se podia usá-las do melhor modo para seu proprietário. A pessoa escrava enquanto isso é separada de seus filhos, maltratada física e emocionalmente, morta e vendida; ela vai sendo morta aos poucos, perdendo sua vontade e sua personalidade. E se você era uma pessoa negra livre, nada te garantia de continuar assim, a justiça era bem distinta das pessoas brancas para as negras, pois se você era negro e não conseguisse provar por documentos a sua liberdade, automaticamente você viraria escravo de alguém.

É nessa parte que Dana, em um piscar de olhos, de uma moça livre se torna escrava; pois por ter sido teletransportada para outra época, obviamente, não possuía nem documento de aforia, ou de liberdade. Ela então precisa mudar drasticamente seu comportamento para permanecer viva, tornando submissa a todos os brancos e tendo sempre medo do que seus atos podem causar a si e aos outros. Dana, antes uma escritora, no século XIX é vista com desconfiança por saber escrever e ter uma fala diferente dos outros. Era visto como perigoso um escravo saber ler e escrever, e nem a maioria das mulheres brancas eram alfabetizadas nesse tempo. Dana já está em perigo naquela época só por sua educação, precisando ter mais cuidado ainda com suas ações.

Octavia E. Butler faz mais do que nos ensinar um pouco sobre a escravidão e a história dos Estados Unidos, ela me fez questionar o quanto ainda somos guiados por esses antigos mal costumes, o quanto somos influenciados por nossa cultura e o quanto dela ainda é injusta e prejudicial para várias pessoas. A nossa cultura ainda  é racista, preconceituosa, e com comportamentos antiguados vindos de séculos passados, provavelmente, muitos os quais não enxergamos por estar inseridos nela. Não sei se nossos desafios atuaia são tão difíceis quanto os desafios passados, mas ainda temos muito a evoluir como sociedade.

Essa leitura foi muito rápida e gostosa, além de trazer muitos questionamentos sobre o século XIX e sobre os tempos atuais, e a estória ser emocionante e muito bem escrita.  Tentei trazer aqui o máximo de questionamentos feitos por mim ao ler essa obra. Esse livro virou um dos meus favoritos.  por sua leveza e complexidade.

Amor a todos ❤

Xeque-mate da rainha

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Informações gerais: escrito por Elizabeth Fremantle, livro um da saga Tudors, lançado pela editora Paralela. Ficção – ficção histórica.

Sinopse (retirada da parte de trás do livro): “Divorciada, guilhotinada, morta, divorciada, guilhotinada. Esse é o histórico do meu noivo.
Katherine Parr, sexta esposa de Henrique VIII, trilha um caminho perigoso entre a paixão e lealdade. Muito mais nova que o marido, ela precisa aprender rapidamente a lidar com os perigos da corte Tudor, especialmente no que diz respeito a sua fé  e ao seu verdadeiro amor.”

Antes de tudo digo que, apesar de ser o primeiro livro de uma série em lançamento, o livro tem um final completo e satisfatório. Digo isso, porque peguei esse livro achando que seria um só volume e, quando vi o segundo volume ser lançado, comecei a ficar angustiada, pensando que terminaria o livro e teria de esperar a sua finalização nos volumes seguintes. Foi um preocupação, no final, infundada, o segundo volume continua o foco na família Tudors, porém com outras histórias a serem contadas.

Esse livro me conquistou desde seu inicio por ser uma ficção histórica, uns de meus gêneros favoritos, e com a personagem principal do sexo feminino. A começar o livro, este melhora mais ainda, por ter personagens femininas fortes e repletas de personalidades, mesmo com os homens da época tentando apagar essa força a qualquer custo.

Penso por que os homens de antigamente, e até mesmo em nosso século,  se sentem tão ameaçados e intimidados quando encontram uma mulher com grande inteligência, forte e segura em suas opiniões? Não poderiam aproveitar para colaborarem um com o outro e crescerem juntos em suas ideias e movimentos? Entretanto, movem para impedir essa igualdade, o sexo masculino parece precisar se sentir sempre superior, e, para isso, não oferece as mesmas oportunidades para as mulheres e tenta inferioriza-las até estas murcharem ou quebrarem. É isso que este livro deixou mais evidente para mim: a parte de não instruírem as mulheres do mesmo modo, deixando certas características como sendo masculina assim como liderar, governar, discursar e estudar certas áreas. Desvalorizando o máximo aquelas nascidas com os mesmos dons considerados masculinos e quanto isso implicitamente não influencia a nossa sociedade até hoje.

A fé é também muito discutida, já que estamos no período da reforma e contra-reforma, uma luta entre a Igreja e os protestantes. Henrique VIII representa a Inglaterra do momento, sendo alguns momentos a favor do movimento e, outros, seguindo firmemente com os dogmas da Igreja católica. O rei até mesmo possui em seu conselho tanto católicos quanto reformadores, revezando o lado de sua preferência e marcando o seu reinado com decisões bastantes volúveis e com o povo da Inglaterra sendo envolvido por conflitos e incertezas. Nem mesmo a rainha é uma constante para os ingleses.

Essa leitura me fez pensar muito, tanto sobre a rivalidade e luta pelo poder, como sobre as grandes consequências do abuso e do estupro podem ter em uma pessoa. Contudo, decidi parar aqui minha resenha com medo de passar spoilers ao entrar em certos temas. Xeque-mate da rainha trouxe grandes questionamentos sobre o modo de vida a qual decidimos seguir e o quanto ainda precisamos melhorar como seres humanos. É um livro maravilhoso e vale a pena ser lido com carinho, mesmo se você discordar de minhas ideias aqui ditas. Leiam e tenham sua própria visão sobre esta história.

 

Amor a todos ❤

O físico

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Informações gerais: escrito por Noah Gordon, lançado pela editora Rocco. Ficção – ficção histórica.

Sinopse (retirada da parte de trás do livro):  ” Um homem: Robert Jeremy Cole.
Um dom: o quase místico poder da cura.
Um objetivo: aprimorar seus conhecimentos na ciência, ainda incipiente, pela qual se apaixonou – a medicina.
Obcecado em contrariar as forças da morte e da doença, Rob J. abandona o obscurantismo da Europa medieval rumo ao esplendor do Oriente, onde despontam as primeiras descobertas dessa ciência fascinante que teima em desafiar Deus.”

Esse livro me foi indicado, confesso que antes não tinha nenhum pretensão de lê-lo, porém falaram que eu iria gostar… e aqui estou eu agora escrevendo uma resenha sobre ele. Se eu fosse resume esse livro em algumas palavras seria: excelente estória e escrita maravilhosa, mas bem descritiva, podendo ser cansativa e/ou lenta dependendo do humor ou do gosto da pessoa. Não achei cansativa, mas a estória demorou para se desenrolar e seu inicio é a parte mais desafiante de todo o livro.

A parte da infância de Robert Jeremy Cole é a mais difícil de ler, é aquele momento de apresentação do personagem e do ambiente onde ele está; para mim, foi o momento também de conhecer e se adaptar a escrita do autor. Nesse começo fiquei com medo de não gostar do livro, e só não me desesperei porque assisti o filme  e lembrei que a estória iria ser, pelo menos em alguns momentos, empolgante. Contudo, depois da página 30 e poucos a estória já foi me conquistando, assim que Robert começa a se encaminhar para a arte da medicina. É claro que o livro continua com sua escrita minuciosa, mas a partir do capítulo 4 passei a gostar desse estilo, mesmo me fazendo demorar mais a terminar essa leitura.

O autor divide o livro em partes bem definidas na vida do personagem, e em cada uma delas o personagem vai se desenvolvendo, encontrando novos desafios e aprendendo mais, não só na medicina, como em outras áreas. Achei bonito vários momentos de evidente crescimento e/ou conclusões feitas por Cole, assim como em vários outros fiquei meio chateada com as atitudes dele. A leitura então me fez ir além do que eu esperava, de conhecer e acompanhar a vida de homem com destino de aprender a arte da cura, ela me fez viajar a vários locais  no século XI e de aprender mais sobre diversas culturas.

Noah Gordon me surpreendeu ao escrever com tanta sensibilidade sobre certos assuntos, principalmente quando percebi que este livro foi escrito em 1986. As mulheres, mesmo não tendo muitas, não são tolas ou superciciais, mas com cada uma com seus defeitos, suas qualidades e suas personalidades únicas. Inclusive há um romance muito lindo nesse livro, pelo qual o casal para mim pareceu muito real e o qual me apaixonei desde seu início, principalmente, pela personagem feminina. As religiões também me pareceram ser descritas de forma bem respeitosas, tendo críticas ou questionamentos mais em relação ao modo em que se envolviam nos estudos daquela época, de como suas escrituras podem ser interpretadas de diversos modos ou de como cada um lidava com a outra religião dependendo do local onde o Rob estava. Há também várias situações sociais que ainda podemos encontrar hoje, como a ambição cega pelo poder ou a intolerância religiosa.

Ou seja, o autor me trouxe muitas reflexões sobre a sociedade atual e muito conhecimento sobre o período em que se passa a estória. O livro possui bastante conteúdo por ser tão descritivo, mas o escritor faz isso com cuidado, carinho e tornando seu livro apaixonante a cada página lida. Não se tornou um dos meus escritores favoritos, entretanto gostei bastante do livro e pretendo ler mais livros de Noah Gordon.

 

Amor a todos ❤

As Crônicas de Artur

Informações gerais: trilogia escrita por Bernard Cornwell, começando com o livro O rei do inverno, todos os livros lançados pela editora Record. Ficção – ficção histórica.

Sinopse do primeiro livro, O rei do inverno (retirada do Skoob): “O Rei do Inverno conta a mais fiel história de Artur, sem os exageros míticos de outras publicações. A partir de fatos, este romance genial retrata o maior de todos os heróis como um poderoso guerreiro britânico, que luta contra os saxões para manter unida a Britânia, no século V, após a saída dos romanos. “O livro traz religião, política, traição, tudo o que mais me interessa,” explica Cornwell, que usa a voz ficcional do soldado raso Derfel para ilustrar a vida de Artur. O valoroso soldado cresce dentro do exército do rei e dentro da narrativa de Corwell até se tornar o melhor amigo e conselheiro de Artur na paz e na guerra.”

Eu amei esse livro e toda a trilogia e recomendo a todos que curta uma boa história, bem escrita e cheia de detalhes.

Essa leitura, mesmo não tendo tanta base histórica e precisando preencher vários pedaços com a imaginação e suposições do autor, me ensinou vários detalhes da época em que se passa. É repleto de informações interessantes e Bernard Cornwell sabe descrever na medida certa tanto as batalhas quanto as cenas mais tranquilas. Amei o personagem principal, com todas as suas dificuldades, gostos e ações. Nenhum momento ele se mostra sendo perfeito, mas uma pessoa com uma história de vida fantástica, afinal, além de sua própria história ser muito interessante, ele também acompanhou a história de Artur e conta toda ela em seu ponto de vista.

O autor no livro O inimigo de Deus (calma, não tem spoilers), o segundo livro, já fala que não tem a presunção de mostrar essa história como real história de Artur, mas sim como mais uma versão. O conselho é não se prender nos fatos como eles sendo verdadeiros ou não serem como pensamos que tenha sido de fato, mas em que podemos refletir a partir disso e abrir espaço, em certas situações, até para novas possibilidades. Há personagens que talvez não sejam como esperávamos ou do modo como são descritos nas outras versões do Rei Artur, mas se desapegarmos desse “problema”, a leitura se tornará deliciosa e os deixarão ansiosos para continuar lendo essa obra. Ou seja, se simplesmente curtimos a leitura, veremos que é uma história em que não nos decepciona em nenhum momento, principalmente na qualidade da escrita.

Outro conselho é não ler esperando que o inicio do O rei do inverno vai ser super motivador e, pelo menos, só pensar em criticar o livro quando chegar mais perto do meio da narrativa. Devo confessar que, da primeira vez, tentei ler o primeiro livro e parei na página 60 ou 70 e alguma coisa, deixando a leitura para depois, quando algo me empolgasse a tentar ler esse livro de novo… Um tempo depois essa vontade me veio de novo, e antes de começar, li algumas resenhas de blogs, livrarias e do Skoob, e em uma delas, não lembro mais qual, avisava que se você passasse da página 100 a leitura deixava de ser tão desafiadora e passava a ser mais empolgante e maravilhosa. Essa pessoa estava certa.

Escrevi essa resenha depois de ler o último livro, então garanto que adorei As Crônicas de Artur! O autor sabe descrever na medida certa as batalhas e as cenas mais tranquilas, desde as primeiras páginas de toda trilogia .Há detalhes no primeiro livro que são importantes, apesar de não parecer, mas quando vai se chegando mais próximo do final, entendemos o porque de aquelas partes terem sido contadas. Aquilo que parecia tão lento e desnecessário no inicio, se mostrou de grande importância para o final da trilogia.

Bernard Cornwell consegue fazer você mudar seus sentimentos pelos personagens junto com Derfel, faz você seguir a todo tempo a linha de pensamento do personagem e compreendê-lo a cada segundo. Todas as conversas de Derfel com Igraine são também muito interessantes, já que muitas das perguntas dela são também nossas, ou as respostas são como justificativas dadas pelo autor do porquê livro ter seguido por certo caminho ao invés de outro mais conhecido ou tradicional.

O final (sem spoilers) não decepciona nenhum pouco os leitores, ele finaliza de modo brilhante, que, sinceramente, me deixou com lágrimas nos olhos. Os personagens são complexos e maravilhosamente formulados do inicio ao fim, principalmente Derfel. Como eu disse anteriormente, ninguém é perfeito e isso torna muitos personagem mais ainda incríveis, pois a todo momento superam seus desafios, mesmo estes parecendo batalhas perdidas.

A trilogia é muito bem escrita e cheia de curiosidades, e o personagem principal é fantástico. Valeu a pena ler!! Essa foi a primeira obra que leio de Bernard Cornwell e só me fez querer ler mais livros escritos por ele. Essa trilogia ganhou um lugar no meu coração.

 

Amor a todos ❤