Xeque-mate da rainha

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Informações gerais: escrito por Elizabeth Fremantle, livro um da saga Tudors, lançado pela editora Paralela. Ficção – ficção histórica.

Sinopse (retirada da parte de trás do livro): “Divorciada, guilhotinada, morta, divorciada, guilhotinada. Esse é o histórico do meu noivo.
Katherine Parr, sexta esposa de Henrique VIII, trilha um caminho perigoso entre a paixão e lealdade. Muito mais nova que o marido, ela precisa aprender rapidamente a lidar com os perigos da corte Tudor, especialmente no que diz respeito a sua fé  e ao seu verdadeiro amor.”

Antes de tudo digo que, apesar de ser o primeiro livro de uma série em lançamento, o livro tem um final completo e satisfatório. Digo isso, porque peguei esse livro achando que seria um só volume e, quando vi o segundo volume ser lançado, comecei a ficar angustiada, pensando que terminaria o livro e teria de esperar a sua finalização nos volumes seguintes. Foi um preocupação, no final, infundada, o segundo volume continua o foco na família Tudors, porém com outras histórias a serem contadas.

Esse livro me conquistou desde seu inicio por ser uma ficção histórica, uns de meus gêneros favoritos, e com a personagem principal do sexo feminino. A começar o livro, este melhora mais ainda, por ter personagens femininas fortes e repletas de personalidades, mesmo com os homens da época tentando apagar essa força a qualquer custo.

Penso por que os homens de antigamente, e até mesmo em nosso século,  se sentem tão ameaçados e intimidados quando encontram uma mulher com grande inteligência, forte e segura em suas opiniões? Não poderiam aproveitar para colaborarem um com o outro e crescerem juntos em suas ideias e movimentos? Entretanto, movem para impedir essa igualdade, o sexo masculino parece precisar se sentir sempre superior, e, para isso, não oferece as mesmas oportunidades para as mulheres e tenta inferioriza-las até estas murcharem ou quebrarem. É isso que este livro deixou mais evidente para mim: a parte de não instruírem as mulheres do mesmo modo, deixando certas características como sendo masculina assim como liderar, governar, discursar e estudar certas áreas. Desvalorizando o máximo aquelas nascidas com os mesmos dons considerados masculinos e quanto isso implicitamente não influencia a nossa sociedade até hoje.

A fé é também muito discutida, já que estamos no período da reforma e contra-reforma, uma luta entre a Igreja e os protestantes. Henrique VIII representa a Inglaterra do momento, sendo alguns momentos a favor do movimento e, outros, seguindo firmemente com os dogmas da Igreja católica. O rei até mesmo possui em seu conselho tanto católicos quanto reformadores, revezando o lado de sua preferência e marcando o seu reinado com decisões bastantes volúveis e com o povo da Inglaterra sendo envolvido por conflitos e incertezas. Nem mesmo a rainha é uma constante para os ingleses.

Essa leitura me fez pensar muito, tanto sobre a rivalidade e luta pelo poder, como sobre as grandes consequências do abuso e do estupro podem ter em uma pessoa. Contudo, decidi parar aqui minha resenha com medo de passar spoilers ao entrar em certos temas. Xeque-mate da rainha trouxe grandes questionamentos sobre o modo de vida a qual decidimos seguir e o quanto ainda precisamos melhorar como seres humanos. É um livro maravilhoso e vale a pena ser lido com carinho, mesmo se você discordar de minhas ideias aqui ditas. Leiam e tenham sua própria visão sobre esta história.

 

Amor a todos ❤

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O físico

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Informações gerais: escrito por Noah Gordon, lançado pela editora Rocco. Ficção – ficção histórica.

Sinopse (retirada da parte de trás do livro):  ” Um homem: Robert Jeremy Cole.
Um dom: o quase místico poder da cura.
Um objetivo: aprimorar seus conhecimentos na ciência, ainda incipiente, pela qual se apaixonou – a medicina.
Obcecado em contrariar as forças da morte e da doença, Rob J. abandona o obscurantismo da Europa medieval rumo ao esplendor do Oriente, onde despontam as primeiras descobertas dessa ciência fascinante que teima em desafiar Deus.”

Esse livro me foi indicado, confesso que antes não tinha nenhum pretensão de lê-lo, porém falaram que eu iria gostar… e aqui estou eu agora escrevendo uma resenha sobre ele. Se eu fosse resume esse livro em algumas palavras seria: excelente estória e escrita maravilhosa, mas bem descritiva, podendo ser cansativa e/ou lenta dependendo do humor ou do gosto da pessoa. Não achei cansativa, mas a estória demorou para se desenrolar e seu inicio é a parte mais desafiante de todo o livro.

A parte da infância de Robert Jeremy Cole é a mais difícil de ler, é aquele momento de apresentação do personagem e do ambiente onde ele está; para mim, foi o momento também de conhecer e se adaptar a escrita do autor. Nesse começo fiquei com medo de não gostar do livro, e só não me desesperei porque assisti o filme  e lembrei que a estória iria ser, pelo menos em alguns momentos, empolgante. Contudo, depois da página 30 e poucos a estória já foi me conquistando, assim que Robert começa a se encaminhar para a arte da medicina. É claro que o livro continua com sua escrita minuciosa, mas a partir do capítulo 4 passei a gostar desse estilo, mesmo me fazendo demorar mais a terminar essa leitura.

O autor divide o livro em partes bem definidas na vida do personagem, e em cada uma delas o personagem vai se desenvolvendo, encontrando novos desafios e aprendendo mais, não só na medicina, como em outras áreas. Achei bonito vários momentos de evidente crescimento e/ou conclusões feitas por Cole, assim como em vários outros fiquei meio chateada com as atitudes dele. A leitura então me fez ir além do que eu esperava, de conhecer e acompanhar a vida de homem com destino de aprender a arte da cura, ela me fez viajar a vários locais  no século XI e de aprender mais sobre diversas culturas.

Noah Gordon me surpreendeu ao escrever com tanta sensibilidade sobre certos assuntos, principalmente quando percebi que este livro foi escrito em 1986. As mulheres, mesmo não tendo muitas, não são tolas ou superciciais, mas com cada uma com seus defeitos, suas qualidades e suas personalidades únicas. Inclusive há um romance muito lindo nesse livro, pelo qual o casal para mim pareceu muito real e o qual me apaixonei desde seu início, principalmente, pela personagem feminina. As religiões também me pareceram ser descritas de forma bem respeitosas, tendo críticas ou questionamentos mais em relação ao modo em que se envolviam nos estudos daquela época, de como suas escrituras podem ser interpretadas de diversos modos ou de como cada um lidava com a outra religião dependendo do local onde o Rob estava. Há também várias situações sociais que ainda podemos encontrar hoje, como a ambição cega pelo poder ou a intolerância religiosa.

Ou seja, o autor me trouxe muitas reflexões sobre a sociedade atual e muito conhecimento sobre o período em que se passa a estória. O livro possui bastante conteúdo por ser tão descritivo, mas o escritor faz isso com cuidado, carinho e tornando seu livro apaixonante a cada página lida. Não se tornou um dos meus escritores favoritos, entretanto gostei bastante do livro e pretendo ler mais livros de Noah Gordon.

 

Amor a todos ❤

 

 

 

As Crônicas de Artur

Informações gerais: trilogia escrita por Bernard Cornwell, começando com o livro O rei do inverno, todos os livros lançados pela editora Record. Ficção – ficção histórica.

Sinopse do primeiro livro, O rei do inverno (retirada do Skoob): “O Rei do Inverno conta a mais fiel história de Artur, sem os exageros míticos de outras publicações. A partir de fatos, este romance genial retrata o maior de todos os heróis como um poderoso guerreiro britânico, que luta contra os saxões para manter unida a Britânia, no século V, após a saída dos romanos. “O livro traz religião, política, traição, tudo o que mais me interessa,” explica Cornwell, que usa a voz ficcional do soldado raso Derfel para ilustrar a vida de Artur. O valoroso soldado cresce dentro do exército do rei e dentro da narrativa de Corwell até se tornar o melhor amigo e conselheiro de Artur na paz e na guerra.”

Eu amei esse livro e toda a trilogia e recomendo a todos que curta uma boa história, bem escrita e cheia de detalhes.

Essa leitura, mesmo não tendo tanta base histórica e precisando preencher vários pedaços com a imaginação e suposições do autor, me ensinou vários detalhes da época em que se passa. É repleto de informações interessantes e Bernard Cornwell sabe descrever na medida certa tanto as batalhas quanto as cenas mais tranquilas. Amei o personagem principal, com todas as suas dificuldades, gostos e ações. Nenhum momento ele se mostra sendo perfeito, mas uma pessoa com uma história de vida fantástica, afinal, além de sua própria história ser muito interessante, ele também acompanhou a história de Artur e conta toda ela em seu ponto de vista.

O autor no livro O inimigo de Deus (calma, não tem spoilers), o segundo livro, já fala que não tem a presunção de mostrar essa história como real história de Artur, mas sim como mais uma versão. O conselho é não se prender nos fatos como eles sendo verdadeiros ou não serem como pensamos que tenha sido de fato, mas em que podemos refletir a partir disso e abrir espaço, em certas situações, até para novas possibilidades. Há personagens que talvez não sejam como esperávamos ou do modo como são descritos nas outras versões do Rei Artur, mas se desapegarmos desse “problema”, a leitura se tornará deliciosa e os deixarão ansiosos para continuar lendo essa obra. Ou seja, se simplesmente curtimos a leitura, veremos que é uma história em que não nos decepciona em nenhum momento, principalmente na qualidade da escrita.

Outro conselho é não ler esperando que o inicio do O rei do inverno vai ser super motivador e, pelo menos, só pensar em criticar o livro quando chegar mais perto do meio da narrativa. Devo confessar que, da primeira vez, tentei ler o primeiro livro e parei na página 60 ou 70 e alguma coisa, deixando a leitura para depois, quando algo me empolgasse a tentar ler esse livro de novo… Um tempo depois essa vontade me veio de novo, e antes de começar, li algumas resenhas de blogs, livrarias e do Skoob, e em uma delas, não lembro mais qual, avisava que se você passasse da página 100 a leitura deixava de ser tão desafiadora e passava a ser mais empolgante e maravilhosa. Essa pessoa estava certa.

Escrevi essa resenha depois de ler o último livro, então garanto que adorei As Crônicas de Artur! O autor sabe descrever na medida certa as batalhas e as cenas mais tranquilas, desde as primeiras páginas de toda trilogia .Há detalhes no primeiro livro que são importantes, apesar de não parecer, mas quando vai se chegando mais próximo do final, entendemos o porque de aquelas partes terem sido contadas. Aquilo que parecia tão lento e desnecessário no inicio, se mostrou de grande importância para o final da trilogia.

Bernard Cornwell consegue fazer você mudar seus sentimentos pelos personagens junto com Derfel, faz você seguir a todo tempo a linha de pensamento do personagem e compreendê-lo a cada segundo. Todas as conversas de Derfel com Igraine são também muito interessantes, já que muitas das perguntas dela são também nossas, ou as respostas são como justificativas dadas pelo autor do porquê livro ter seguido por certo caminho ao invés de outro mais conhecido ou tradicional.

O final (sem spoilers) não decepciona nenhum pouco os leitores, ele finaliza de modo brilhante, que, sinceramente, me deixou com lágrimas nos olhos. Os personagens são complexos e maravilhosamente formulados do inicio ao fim, principalmente Derfel. Como eu disse anteriormente, ninguém é perfeito e isso torna muitos personagem mais ainda incríveis, pois a todo momento superam seus desafios, mesmo estes parecendo batalhas perdidas.

A trilogia é muito bem escrita e cheia de curiosidades, e o personagem principal é fantástico. Valeu a pena ler!! Essa foi a primeira obra que leio de Bernard Cornwell e só me fez querer ler mais livros escritos por ele. Essa trilogia ganhou um lugar no meu coração.

 

Amor a todos ❤